.: Noticias  .: Agenda  .: Loja  .: Blogs
 .: Por Dentro  .: Fórum  .: Biografia  .: FAQ
 .: Downloads  .: Letras Traduzidas  .: Discografia  .: Links
 .: Cover Arts  .: Banda  .: Setlist  .: Contato
Login
Senha
Esqueceu sua senha?
DMB
Os Meninos do Verão - Pte 2 12/7/2005

Dave Matthews Band: de volta das férias. De volta à estrada. Parte 2 de 3.

Freqüentemente, Batson deixava um microfone ligado e os músicos nem percebiam: "eu podia simplesmente estar sentado exatamente aqui e Mark deixava a fita gravando", diz Tinsley, se reclinando em uma poltrona no deck do segundo andar do estúdio. American Baby começou com um simples riff dedilhado no violino por Tinsley. "Eu com certeza não achava que pudesse ser o gancho principal de uma música enquanto tocava ali sentado," diz o nativo de Charlottesville de quarenta e cinco anos.

A experiência foi um contraste total em relação à gravação do Everyday, em que Matthews e Ballard compuseram as músicas quase que totalmente sozinhos antes que o resto da banda aparecesse no estúdio. "Isso nos abriu os olhos para 'Ei, Dave pode escrever músicas, mas o resto de nós também pode contribuir com idéias que podem ser tão fortes quanto, até mais fortes' " diz Lessard, 31, que criou um riff de guitarra com inspiração grunge que se tornou a base da ode ao sexo oral, Hunger for the Great Light.

Tinsley compara o método com a maneira que a banda trabalha durante a passagem de som, onde jams livres se transformam em idéias para músicas novas. "Se você fica sempre voltando, você perde o que era bom em uma idéia inicialmente", ele diz. "Com essa banda, geralmente a primeira reação é essa".

"Essa é a magia dessa banda: tocar o que vier na cabeça", diz Matthews. "As luzes têm que seguir nossas marcas, porque nós não vamos seguir as marcas delas. Nós não vamos nos ater a uma música do jeito que ela supostamente deve ser. Tudo depende de nós. Isso é a música pra mim. Isso é música americana. Nós somos uma banda americana."

Apesar de não ser americano de nascimento, Matthews, 38, se tornou um cidadão americano quando era adolescente. Ele nasceu em Johanesburgo quando a África do Sul ainda era governada pelo regime do aparteid. Sua família – os pais Valerie, uma pintora e arquiteta, e John, um físico, assim como seu irmão Peter e irmãs Jane e Anne – imigraram para os Estados Unidos quando Dave tinha 2 anos. (John morreu de câncer no pulmão quando Dave tinha 10 anos e a sua irmã Anne faleceu no que seu irmão simplesmente se refere como "circunstâncias trágicas" em 1993). A família voltou para a África do Sul no final dos anos 70, mas Dave voltou para a América assim que terminou o colegial para evitar o serviço militar no exército sul africano. Criado na religião quaker, Matthews é um ardente defensor da não-violência e era radicalmente contra o exército.

Essa crença fica clara em várias músicas de Stand Up, incluindo Everybody Wake Up, que inclui a frase "See the man with the bomb in his hand" (veja o homem com a bomba em sua mão) uma quase explícita referência ao presidente Bush. Sobre o primeiro single do disco, American Baby, Matthews diz que "a inspiração para essa música, em parte, é que não devemos perder a noção de nós mesmos nem do que faz desse um grande país enquanto estamos brigando sobre como protegê-lo". A faixa título se refere à necessidade de se levantar e ser incluído, e em You Might Die Trying ele canta "to change the world, start with one step" (para mudar o mundo, comece com um passo). "To die trying" (morrer tentando), a música sugere, é melhor do que não ter feito nada.

Matthews há muito tempo tem sido ativo politicamente, mas seu passo mais engajado para mudar o mundo aconteceu no outono do ano passado, quando ele e a banda estavam entre os 16 outros artistas da turnê Vote for Change, um mega evento que aconteceu em 12 estados americanos com o objetivo de ajudar o Senador John Kerry a vencer George Bush nas últimas eleições. "Eu achei engraçado que Bush me rotulou como um 'hollywood type'. Ele é muito mais Hollywood do que eu serei em toda minha vida."

Apesar de ser esperado que 2004 seria o ano no qual Matthews promoveria seu primeiro disco solo, Some Devil, ele gastou grande parte da sua energia tentando uma mobilização para tirar Bush da presidência. E então, infelizmente, acabou. "Eu sempre espero o pior e torço pelo melhor", ele diz, falando devagar e deliberadamente. "Mas quando a eleição terminou do jeito que terminou, não fiquei surpreso. Se as chances estão contra você, não é razão para não lutar. Porque ainda assim você tentou, se impôs".

"Sou apaixonado por esse país", ele continua, "eu certamente me considero liberal, o que para mim simplesmente quer dizer que eu quero aceitar as diferenças entre as pessoas, assim como as semelhanças, porque acho que é isso que nos faz espetaculares. A América passou por muita amargura e muito sofrimento em um período curto de tempo. Tem muitos fantasmas recentes e feridas ainda abertas, mas existe uma magia na América que eu amo, e essa é uma das razões pelas quais eu insisto tanto em falar o que penso. Eu lutarei da minha maneira pela América. Mas não lutarei pela América de todos. Se outra pessoa falar que a América é uma nação cristã fundamentalista que precisa espalhar a democracia através de força, essa não é a América que eu quero defender. Essa é a versão de outra pessoa. E defenderei a América desse tipo de idéia. É uma época conturbada nesse país. Mas eu gosto de baseball, e gosto de torta de maçã, e gosto de sorvete com duas bolas. Eu gosto de jazz, gosto de rock&roll, então eu amo a América. Lutarei por ela, por mais sem sentido que sejam as minhas tolas idéias liberais."

Continua...

Fonte:
Entrevista publicada pela revista Rolling Stone nº 976, de junho de 2005.



Créditos: Nathalie Colas - Tradução; Rodrigo Simas - Revisão

Comente | Ler Comentários | Enviar

2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2003
2002
2001