Dave & Carter na Sports Illustrated 2/9/2005
Richard Deitsch, editor associado da Sports Illustrated, recentemente entrevistou Dave Matthews e Carter Beauford para o Perguntas e Respostas semanal da revista.
P: Qual você considera seu melhor momento atlético?
Carter: Eu me lembro no colegial, eu jogava como running back e defensor de primeira linha na Lane High School e Charlottesville High, e isso foi na época que o bloqueio estilo crackback estava sendo proibido por lei -- eu estava no time que recebe a bola chutada e fiz um dos melhores bloqueios crackback que você possa imaginar. Não mandei o cara pro hospital, mas deixei ele bem atordoado. O bloqueio gerou um touchdown. Foi um bloqueio e tanto.
Dave: Eu nunca tive muito foco para chegar longe nos esportes que joguei no colegial. Eu joguei como lateral direito no rugby e eu lembro que eu e um amigo derrubamos um cara. Ele estava com a bola e estava prestes a tomar um bloqueio forte. Meu amigo atingiu ele logo abaixo do joelho, mas exatamente no mesmo instante e exatamente na mesma direção. A razão pela qual eu lembro disso é por causa do som que veio das arquibancadas de uma multidão nada impressionada. Era mais ou menos um '"Uuuuuuuuh". Eu levantei surpreso e pensei comigo mesmo: "Nossa, nós acabamos de esmagar esse idiota".
P: Em uma recente capa da revista Rolling Stone a banda posou vestindo antigos uniformes em um campo de baseball em Charlottesville, VA. Como aconteceu a idéia daquela capa?
Dave: Foi idéia do fotógrafo e simplesmente nos agradou. Existem sempre muitas idéias idiotas para capas como "vocês todos se vestem como frutas e fingem que estão vendendo calcinhas" ou "nós te colocaremos numa cama de pregos e aí passaremos com um caminhão por cima e então tiramos a foto". Mas essa nos agradou. E foi divertido lembrar como se joga uma bola.
Carter: Usar os uniformes não foi tão ruim, mas as luvas e os sapatos antigos foi duro.
Dave: É, como enfiar pregos nas suas solas.
P: Dave, você tocou no Saturday Night Live quando a estrela do tênis Andy Roddick era o apresentador convidado. O que você lembra dele como comediante?
Dave: [Risos] Eu fico impressionado com ele como tenista. Não estou aconselhando que ele largue o tênis e comece uma carreira de ator, assim como eu não vou largar a música e começar a jogar tênis.
P: Suas músicas tem sido usadas durante a cobertura de alguns eventos esportivos grandes, incluindo as finais da NFL e jogos da liga principal de baseball. No próximo mês a banda aparecerá em um comercial do canal CBS Sports para a cobertura da NFL. Vocês alguma vez assistem os eventos só pra ouvir as músicas de vocês?
Carter: Eu fiz isso um monte de vezes. No começo da história da Dave Matthews Band, por exemplo, eu estava assistindo um jogo de hockey onde os Rangers jogavam e eles tocaram Ants Marching no estádio e me pegou totalmente de surpresa. Foi ótimo ouvir minha música tocando para todas aquelas pessoas, escutar as pessoas darem um belo grito em resposta ao que estavam ouvindo.
P: Muitos atletas, incluindo Tony Hawk, Andy Roddick e Barry Zito, são grandes fãs da banda. Qual a história preferida de vocês que envolve um atleta que é fã?
Dave: Nós estávamos tocando no Live 8 na Filadélfia e um monte de jogadores do Eagles estavam lá. Eu pensei "Quem são aqueles caras grandões?" Era o Donovan McNabb e mais uns caras.
Carter: Ano passado, Rick Fox veio em um dos nossos shows. Eu sou torcedor do Lakers, então fiquei perplexo. Ele era o cara mais legal pra se conversar. Antes dele ir pro backstage, ele estava pulando na platéia. Ele estava tão feliz de estar perto de nós. Foi a coisa mais estranha. Tipo "cara, era pra eu estar assim."
P: Fox é um cara da Carolina do Norte e vocês dois são caras de Charlottesville. Ele não devia ser inimigo de vocês?
Dave: Nós já passamos da fase na nossa vida em que ligávamos para coisas como essa (risos).
P: Qual o papel que esportes tiveram na vida de vocês?
Carter: Pra mim, simplesmente me manter saudável. Eu estive envolvido em esportes minha vida toda desde os 5 anos de idade. Sempre foi parte da minha vida e parte da vida da minha família. Sempre esteve presente. É como comer. Se eu não faço, algo está errado. É uma parte grande da minha vida.
Dave: Eu passei por fases com esportes. Como fonte de entretenimento, eu acho que esportes são diversão. É divertido ver pessoas que estão no melhor de alguma coisa competindo. Já na minha vida, eu sou uma pessoa bem ativa nesse momento, e quando criança eu gostava de competir em um nível amigável, mesmo que ocasionalmente seja uma rivalidade. Eu acho que é muito importante ser ativo fisicamente. Acho muito importante para a mente. É como a diferença entre um rio e um pântano. Se você fica imóvel o tempo todo, eu não acho que sua mente estará no seu melhor. Eu acho que as épocas da minha vida nas quais eu fui mais feliz e mais criativo foram as épocas em que fui mais ativo.
P: A África do Sul sediará a Copa do Mundo em 2010. Dave, você nasceu em Johanesburgo e morou lá quando adolescente. O que isso significará para o seu país natal?
Dave: Nós viajamos pelo mundo todo e quando você vê os fãs de futebol, é fantástico assistí-los. Quando estivemos no Brasil, não era só "esse é o time pro qual eu torço". Era "eu morreria por esse time". Há uma paixão e orgulho e nacionalismo. Eu fico feliz que as finais da Copa do Mundo acontecerão na África porque existem muitos ótimos jogadores de futebol que vem daquela parte do mundo, e eu acho que vai inspirar muita gente a levar isso mais a sério. Todo mundo joga futebol lá. Só pode ser ótimo para o país como um todo. Eu provavelmente vou tentar ir até lá assistir alguns jogos.
P: Seu colega de equipe Boyd Tinsley patrocinou um torneio de tênis em Charlottesville. Vocês já jogaram no torneio?
Dave: Não, porque é um torneio feminino(risadas). Mas o Carter é um ótimo jogador de tênis.
Carter: Dave é melhor atleta do que está admitindo aqui. Eu o vi jogar. O garoto joga.
P: Vocês estão juntos há 15 anos. Como vimos com o Lakers e outros times, os caras se cansam uns dos outros facilmente. Entra ciúme. Como vocês conseguiram ficar juntos?
Dave: Família é uma palavra muito importante, tanto a nossa quanto essa organização que é uma família. Eu acho que quaisquer que sejam os venenos que vem de fora -- e eles vem principalmente de fora -- podem afetar nossos relacionamentos. Mas a verdade é, e não abusando da analogia aos esportes, todos temos nossas posições. Você tem sua posição e você precisa cuidar do seu lugar e fazer o que tem que fazer. Nós não somos severos, mas sempre esteja atento ao seu jogo. Eu acho que é assim que sempre vimos isso. Nós nos representamos da melhor maneira possível porque estamos representando uns aos outros.
P: Stand Up é a música de fundo do videogame de Tiger Woods PGA Tour '06. Quando a banda está jogando golfe, que música de fundo vocês escolheriam?
Carter: Se eu estivesse jogando golfe, seria a música tema do Barney (programa infantil americano).
P: O baixista de vocês, Stefan Lessard, tem a rampa vertical dos X-Games da Filadélfia no seu jardim. O que isso diz dele?
Dave: Bom, eu sei que se Fonzie (apelido de Stefan) pode ir aos X-Games, ele sempre vai. Tony Hawk veio a alguns shows nossos e o Fonzie está sempre lá pra conversar com ele. O que é estranho é que eu sempre achei que skatistas fossem caras baixinhos por terem um baixo centro de gravidade, mas Hawk é um cara alto. Isso não faz o mínimo sentido pra mim. Eu acho que sou alto demais para subir num skate porque iria me esborrachar de bunda no chão.
P: Existe algum jogador, time ou esporte que não importa onde no mundo a banda estiver tocando, vocês estarão tentando descobrir como eles estão se saindo?
Carter: Eu adoro todos os esportes mas eu tenho que dizer uma coisa: eu sou um grande fã de Shaquille O'Neal. Quando ele esteve em Los Angeles, eu segui bastante os Lakers. Agora ele está em Miami e eu estou seguindo o Heat. Nós o encontramos em Los Angeles quando estávamos fazendo check in em um hotel. Nós nos cruzamos e dissemos nossos olás. Ele foi muito simpático. Um grande cara.
Dave: Quando eu era mais novo, eu seguia os Yankees porque eu morava perto de Nova York. Quando eu fiquei mais velho, assim como o Carter, eu simplesmente admiro pessoas que estão no seu melhor momento. Alguns anos atrás era Roy Jones Jr. Eu admirava a maneira como ele ganhava de lavada dos outros sem esforço nenhum. Ele o fazia com tamanha graça. É uma forma de genialidade. Quando você vê alguém como Muhammad Ali, ele tinha uma habilidade de fazer algo quase impossível parecer quase natural. Do mesmo jeito que Michael Jordan fazia. As coisas que ele fazia fisicamente são inimagináveis até que você o veja fazer. Então você pensa "uau, parece possível". Então você tenta fazer e seus joelhos vão parar atrás da sua cabeça e você termina estirado no chão. Ver alguém atingir a excelência é lindo. E esportes, obviamente, é onde você consegue observar alguém fazer isso. Alguém como Jordan ou Roy Jones ou Ali no seu melhor momento, eu considero essas pessoas gênios da mesma maneira que Albert Einstein ou Miles Davis são considerados gênios porque eles tem um conhecimento que é tão excepcional.
P: Há um rumor rodando por aí de que Heather Mitts do time americano de futebol feminino cantou em um dos shows de vocês. Isso aconteceu?
Dave: Eu sei exatamente quem ela é e eu com certeza lembraria se isso acontecesse.
Carter: Mas diga a ela que ela está convidada a fazer isso quando quiser.
Dave: Diga a ela que gostaríamos que ela fizesse isso de novo. Só que desta vez gostaríamos de estar lá.
Créditos: Richard Deitsch - texto; Nathalie Colas - Tradução; Rodrigo Simas - Revisão
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