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DMB
DMB e a Europa 6/5/2006

Entrevista cedida por telefone a uma rádio da Holanda em março de 2006. 

ENTREVISTADOR: Qual foi a estratégia utilizada para promover e divulgar a Dave Matthews Band na Europa no passado e o que motivou essa nova investida no mercado europeu?
DAVE MATTHEWS: Chegamos a tocar algumas vezes por aí. Acho que a última vez que a banda inteira tocou na Europa foi há cerca de 5 anos atrás, abrindo shows para os Rolling Stones. Bastante tempo. Nos últimos anos nos concentramos mais nos Estados Unidos, mas sempre buscamos encontrar uma maneira natural de levar nossa música a outros países. O que aconteceu é que as gravadoras utilizaram técnicas um pouco contrárias às nossas, pois sempre tentaram nos promover como uma banda de grande sucesso, de uma maneira um pouco exagerada. Exatamente o contrário da nossa história nos Estados Unidos, onde começamos devagar, por baixo, para ir crescendo aos poucos e atingir o sucesso e reconhecimento que conseguimos hoje. O resultado desta estratégia adotada pela gravadora européia leva, de certa forma, ao fracasso inevitável, pois acredito que ninguém gosta de ouvir o que foi imposto. Por isso, hoje em dia, temos a sorte de ter assinado com a V2 (V2 music, atual gravadora da DMB na Europa), que tem uma visão mais parecida com a nossa, e concordamos em tomar um caminho mais humilde, mais sutil. Nos sentimos mais confortáveis em começar devagar, fazendo alguns shows solos e conquistando o público aos poucos.

E: O disco Stand Up está sendo lançado na Europa, você vem com a intenção de promovê-lo?
D: Sim. Nos divertimos muito fazendo este disco, com o produtor Mark Batson, foi uma experiência ótima e gostamos tanto que estamos repetindo, fazendo uma continuação do projeto com o próximo disco, que estamos gravando atualmente. Stand Up foi um disco um pouco diferente dos anteriores, Batson tem uma visão diferente de música e o processo de composição e gravação foi muito relaxante e agradável. Espero que o público europeu goste do disco.

E: Mark Batson participou também como músico em algumas faixas do disco Stand Up. Ele já tocou ao vivo com vocês, ou existem planos dele particpar também na turnê?
D: Batson é um músico excelente e para nós da Dave Matthews Band é algo natural, quando temos alguém talentoso presente, seja em estúdio ou em shows, que essa pessoa se junte a nós e toque. Como tínhamos ele presente conosco nas gravações de Stand Up, seria um disperdício não aproveitar também seu talento como músico. Então ele se uniu à banda, o que também faz com que o processo criativo flua melhor, ficamos todos mais inspirados. Ele nunca tocou em shows conosco, quando saímos em turnê ele continuou ocupado com outros trabalhos. Já chegamos a conversar várias vezes sobre o assunto, imaginando como seria tê-lo no palco conosco, ainda não aconteceu, mas seria maravilhoso que acontecesse.

E: Você pode falar um pouco sobre Dreamgirl, a primeira música de Stand Up?
D: Dreamgirl foi a primeira música que gravamos para o disco, depois de somente um dia em estúdio. Ela é uma espécie de música romântica, sobre aquele amor ideal que todos temos, que é muito raro encontrar. A música fala sobre isso, estar com o amor da sua vida, mas perceber que nada é perfeito e que não existe essa noção idealizada de pessoa perfeita.

E: O disco saiu nos Estados Unidos em 2005, qual foi o resultado até agora?
D: Eu não acompanho isso muito de perto, não sei os números exatos, mas acredito que está atualmente entre 2 e 3 milhões de cópias vendidas. É um ótimo resultado, o disco tem ido muito bem.

E: Incrível, todo disco que vocês lançam acontece a mesma coisa, não? Milhões de cópias vendidas a cada lançamento. Não chega a ser até entediante?
D: Não(risos). Bom, tudo que temos que fazer é continuar fazendo discos mais interessantes possível.

E: E vocês continuam conseguindo. Há anós já, anos. Nos Estados Unidos vocês são um dos maiores sucessos atualmente, não? Não somente discos, mas shows também. Cada turnê que vocês fazem os shows sempre estão lotados.
D: Nós nos esforçamos pra manter os preços dos ingressos baixos...

E: Mas o importante é que as pessoas continuam sempre querendo assistir vocês.
D: Sim, somos extremamente abençoados por isso. Enquanto pudermos, continuamos. Existe aquele velho ditado de "aproveite enquanto dure, enquanto estão por cima", e nós acreditamos que devemos tocar cada show como se fosse o último show. Assim você nunca desaponta seu público, encaramos os shows como se cada um fosse um teste. Se não deixarmos o palco com a platéia extasiada, então falhamos. Para nossa banda é quase como se fosse uma partida que jogamos, mas sem que exista um oponente.

E: A atriz Julia Roberts participou do clipe de Dreamgirl. Por que ela foi escolhida para o clipe? Por acaso ela é sua garota dos sonhos?
D: Ela é uma grande amiga minha. Ela tem vindo assistir shows nossos acho que já fazem 11 ou 12 anos.  Nos conhecemos em Chicago e desde então somos bons amigos. De vez em quando, quando nosso tempo livre coincide, combinamos de viajar com nossas famílias juntas, ela é, tipo, minha melhor amiga. Minha mulher e ela também são muito próximas, nós gostamos muito das famílias um do outro. E quando o disco novo estava saindo, acho que na verdade foi ela que ligou e disse "me deixe participar do clipe, eu não tenho feito nenhum trabalho", isso porque ela tinha acabado de ter filhos. Conversamos e ela achou que era uma boa idéia, quase como "molhar um pouco os pés", seria melhor recomeçar trabalhando alguns dias, ao invés de já de cara fazer um filme que exigiria 2 meses de trabalho. E foi ótimo, ela foi incrível, foi maravilhoso ver o quão profissional e dedicada ela é, extremamente talentosa. Como mulher, a forma como ela lida com tudo isso. Foi tão divertido vê-la em um ambiente diferente, não social, mas profissional. Estar do outro lado da câmera e vê-la atuar. E claro, ela também não é uma mulher pouco atraente.

E: E quanto a turnês? Você pretende vir para a Holanda, ou para a Europa?
D: Eu tenho conversado com o pessoal da V2 Music. Eu fiz um show solo em Londres em fevereiro deste ano. Apesar de ainda não ter nada oficial ou planos defintivos, o que pretendemos fazer é que eu venha, atravesse o Atlântico, algumas vezes sozinho primeiro. Acho que é uma estratégia que funcionou bem para nós, que eu venha algumas vezes e faça alguns shows solos, antes que a banda venha inteira. Construir uma base com o público aos poucos e em breve voltar para shows com a banda completa, uma forma mais natural de crescer e conquistar o mercado europeu.



Créditos: Tradução: Nathalie Colas

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