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DMB
Fenton Williams: O Iluminado 27/10/2006

Fenton Williams começou sua odisséia na estrada com a Dave Matthews Band cedo, em 1991. Ele começou como empresário de turnês mas logo ganhou o lugar de diretor de iluminação da banda. Também se aventurou na direção de dois dos DVDs ao vivo da banda, Live at Folsom Field e The Gorge. No entanto, como Fenton explica em uma longa conversa a seguir, ele prefere que sua perspectiva da DMB seja da mesa de iluminação.

Boyd Tinsley é efusivo nos seus elogios a Fenton: "Fenton é um dos caras mais legais que já conheci na vida. Ele é um grande amigo meu, um grande amigo de todos na banda e um dos melhores iluminadores do mercado. Às vezes ao final do que eu achei que foi um show maravilhoso nosso, alguém vem falar comigo, dizem que gostaram muito do show mas a primeira coisa que dizem é sempre 'Meu Deus, a iluminação estava incrível!'".

A entrevista a seguir foi feita com Fenton logo antes da chegada em Randall's Island para a segunda edição do famoso DMB Weekend Festival.

Qual será o processo para montagem do palco e equipamentos para o show em Randall's Island este ano? Você pode contar passo a passo como é montado um show como esse?
Fenton: Na quinta feira, 2 dias antes do show, parte da equipe e os produtores chegam e fazem uma pré-arrumação. Então lá pelas 8 da manhã da sexta feira começaremos a descarregar o equipamento de iluminação, video, som e de palco da banda. Provavelmente acontecerá uma passagem de som no começo da tarde e, quando escurecer, eu e Aaron Stinebrink ficaremos até meia noite mais ou menos, fazendo a programação da iluminação e nos preparando.

O básico que fazemos é programar as posições focais das luzes. Elas mudam muito. Temos feito shows principalmente em anfiteatros e estádios menores, e Randall's Island é um grande campo aberto, então quando você posiciona as luzes para iluminar a platéia é completamente diferente dos shows anteriores onde você tinha a platéia em um semi círculo, em Randall's Island todos estão mais espalhados e é muito maior a largura da platéia pois segue o gramado.

Você falou em programação. Você pode explicar quanto do seu trabalho em uma noite de show é improvisado?
F: Eu diria que 95% de um show é improvisado. Tenho minha mesa de iluminação preparada com todos meus botões e faders. Tenho um botão que mudará a cada 3 segundos a iluminacão para uma cor completamente diferente, ou tenho outro que fará um movimento de 10 a 15 segundos do palco para a platéia. Então sei que quando apertar este ou aquele botão vou produzir efeitos diferentes, mas o timing e tudo mais eu faço na mão, na hora, ao vivo.

É diferente toda noite. Em uma noite eu posso escolher que a iluminação siga uma linha de baixo específica em certa parte da música, e duas noites depois quando eles tocarem a mesma música eu posso focar a iluminação seguindo o que o Boyd está tocando no violino. E tudo isso é decidido na hora, é tudo extremamente ao vivo, durante cada show.

Existe algum tom ou cor em particular que você associa com alguma música específica?
F: Claro. Hunger For The Great Light, por exemplo, sempre visualizo essa música com muitos tons de amarelo. Com #41 já visualizo cores mais ricas, azuis e cores mais frias. Granny é outra música mais quente, que visualizo com vermelhos fortes e âmbar.

Essas suas visualizações mudam, dependendo da maneira como a banda está tocando aquela música naquela noite, ou sua visão daquela música muda de acordo com como você se sente naquele dia?
Com certeza, e a parte boa disso é que posso fazer essas mudanças a qualquer momento, se estou sentindo que a música está um pouco diferente ou se meu humor está diferente. Também devo comentar que se você assiste em um show uma música, por exemplo, Pig, como a terceira música do show, e se 2 noites depois você assistí-la como a décima segunda música do setlist, a iluminação será completamente diferente, porque existem tantos elementos diversos que vão sendo adicionados conforme o show vai passando. Todo o conceito é baseado em camadas e profundidade. Há tanta acontecendo no palco por trás da banda, com 5 ou 6 diferentes camadas de luzes que aos poucos vão aparecendo durante o show, incluindo novas paredes de vídeo de baixa resolução que podemos usar como efeitos de iluminação, temos também uma cortina de fibra óptica.

Quanto tempo você faz de preparação antes do começo de uma turnê, quando você adiciona novos equipamentos e elementos na iluminação?
F: Eu diria que por volta de 20 a 25 dias no mínimo, em termos de experimentar com os novos equipamentos e ir encaixando-os com todos os elementos já utilizados. Nós passamos um mês em Connecticut, antes da turnê, para essa preparação. Para você ter uma idéia do quanto trabalhamos em cima da iluminação, já estamos trabalhando na iluminação da turnê do ano que vem.

Qual o envolvimento da banda no processo todo, quão decisivo é o papel da banda conforme você desenvolve novas idéias?
F: Eu vou mostrando a eles o que estou fazendo só pra me certificar que eles não dirão "o que diabos é isso?", mas na maior parte do tempo eles gostam muito do que mostro a eles, eles me apoiam muito e ficam felizes com a direção que estamos tomando. A única hora que eles vêem a iluminação de fora do palco é antes do primeiro show da turnê.

Nós todos vamos ao lugar do show uma noite antes e eles tocam por uma hora e pouco. Então eles vão jantar e voltam e ficam por lá. Nós aí soltamos alguma música alto nos P.As, pode ser Dave Matthews Band ou alguma outra coisa que gostamos, então Aaron e eu simplesmente nos divertimos com a iluminação, para que a banda possa ver o que preparamos e ter uma idéia de como será nos shows.

Isso é sempre estressante e ficamos nervosos porque é sempre o primeiro show e as coisas ainda não estão maduras, tudo vai melhorando aos poucos nos primeiros shows e lá pelo sexto ou sétimo show já está tudo no lugar. Decidimos muita coisa na base da tentativa e erro "Uau! Isso realmente funciona bem!" Mas você pode não descobrir isso até o terceiro ou quarto show. Eu estou descobrindo coisas novas o tempo todo.

Você tem suas músicas preferidas para iluminar?
F: Eu amo a música You Never Know. Eu adoro fazer a iluminação de Kit Kat Jam, que eles já não tocam faz um tempo. E adoro #41 e The Last Stop.

Você também dirigiu dois dos DVDs da banda. Agora que já se passaram alguns anos, olhando pra trás o que você diria da experiência?
F: No Folsom Field eu era mais jovem e olhando pra trás acho que talvez eu tivesse energia demais. Eu estava tentando fazer demais. Tem o efeito de multi tela e cenas com zooms indo e vindo rapidamente que na época que achei que eram ótimos, mas analisando hoje em dia, parece um pouco acelerado demais. Quando você assiste ao The Gorge, é um pouco mais simples. Acho que ainda tem uma energia ótima, uma dinâmica ótima, e não é tão boom boom boom tentando pegar tudo ao mesmo tempo. No Folsom Field eu queria pegar cada linha do baixo, cada passagem da bateria, e alguns anos depois percebi que não é preciso colocar cada uma dessas cenas.

Você tem planos futuros de dirigir?
F: Eu adoraria fazer mais, mas tudo depende do timing. Eu mudei por alguns anos e dirigi a parte de vídeo, mas chegou ao ponto que eu sentia falta de fazer a iluminação. Você tem muito mais interação com a banda. Meu primeiro amor de fazer algo com essa banda é a iluminação - eu quero que meus dedos estejam se movendo ao mesmo tempo que a banda.

Entrevista publicada no site Jambands.com, em 18 de agosto de 2006.



Créditos: Tradução: Nathalie Colas

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