Melhores de 2006 2/2/2007
Início de 2007, é a hora de fazer a lista dos melhores lançamentos de 2006. Um Por Dentro diferente, mas que tem tudo a ver com a DMB, já que serve também como uma dica pros fãs da banda a procura de novos CDs e novos artistas. É sempre difícil escolher 10 CDs entre tantos outros lançados durante os últimos 12 meses. É lógico que alguns são fáceis, mas o que faz o primeiro lugar ser melhor que o segundo? O certo é que, como todo amante da música, no final das contas, o que vale é o sentimento que ela transmite.
10) Jorge Drexler – 12 Segundos de Oscuridad
Ainda há vida depois do Oscar. Jorge Drexler conseguiu compor um disco se não melhor, do mesmo nível de “Eco”, de 2005.
9) The Mars Volta – Amputechture
Ainda insanos. Maravilhosamente insanos. Poderia descrevê-los como um Led Zeppelin “on drugs” do novo milênio. Mas não sei se seria justo, nem com eles, nem com o Led. Melhor não comparar.
8) Tool – 10.000 Days
Existem poucas bandas que demandam uma audição tão cuidadosa. Digerir “10.000 Days” leva tempo, mas se você conseguir, não vai se arrepender.
7) Slayer – Christ Illusion
A volta de Dave Lombardo às baquetas é em grande estilo. Violento como só o Slayer sabe ser, “Christ Illusion” é um rolo compressor do começo ao fim. Um discaço de heavy metal.
6) Hamilton de Holanda Quinteto – Brasilianos
A música instrumental brasileira é referência mundial. Assim como Hamilton de Holanda é considerado um dos melhores músicos do planeta. Não poderíamos estar melhor representados.
5) Umphrey’s Mcgee – Safety in Numbers
A influência do progressivo da decada de 70, lembrando Rush e Yes em diversos aspectos, unida ao modernismo do Dream Theater ou das gigantes jam bands americanas, como o Phish e a própria Dave Matthews Band, faz do quinteto uma jóia rara nos tempos atuais. Transforma “Safety in Numbers” em uma obra diversa, onde cada música se completa e ajuda a compreender como os diversos estilos – do folk ao heavy metal – são unidos de forma tão distinta.
4) David Gilmour – On an Island
Os que esperavam um disco mais rock podem ficar decepcionados. O grande atrativo de “On An Island” é exatamente o clima que sua audição consegue passar, uma viagem que leva o ouvinte a relaxar e – caso permita – ser seduzido pela composição pessoal e intimista de David Gilmour. O título não poderia ser melhor.
3) Muse – Black Holes and Revelations
Saudados por muitos como a nova “futura maior banda do planeta”, o trio sabe como poucos unir a pegada do heavy metal, a técnica do progressivo, a grandiosidade do Queen, a energia do Nirvana e o apelo do U2. Tudo isso agora envenenado por uma pequena – grande – influência eletrônica. Se parece impossível essa mistura dar certo, ouça “Black Holes and Revelations” e comprove.
2) The Gathering – Home
O The Gathering começou como uma banda de heavy metal. Hoje não têm rótulo. Fazem música, pra quem quiser ouvir. Trabalhando com o mesmo produtor de “How To Measure a Planet” (1998), Attie Bauw, “Home” teve como ponto de partida a idéia de se fazer um disco mais básico, sem a quantidade infinita de texturas e camadas encontradas nos últimos CDs de estúdio. “Waking Hour” sozinha já valeria o posto de segundo lugar. Emocionante.
1) Ani DiFranco – Reprieve
Ani prefere fazer as coisas do jeito dela. Sem chamar atenção. Melhor assim. “Reprieve” é o álbum mais sincero, delicado, raivoso, poético e tocante de 2006. Não lançado no Brasil – Ani ainda é uma artista independente nos EUA e mantém sua própria gravadora, a Righteous Baby Records – Reprieve foi inteiramente gravado por ela e seu baixista Todd Sickafoose, incluindo aí todas guitarras, violões, teclados e baterias. As linhas melódicas, por certas vezes caóticas, servem de pano de fundo para suas verdades e inverdades, cantadas sem vergonha. Mais uma vez, com uma sinceridade difícil de ser encontrada nos dias de hoje. Ouça “Hypnotized” e se deixe levar pelas 13 faixas que compõem essa obra-prima.
Ficaram CDs de fora? Muitos! Prefiro nem ficar lendo a lista que a vontade é de tirar alguns e adicionar outros. Mas vale a pena citar outros CDs que fizeram diferença durante 2006 e que poderiam estar facilmente na lista dos melhores do ano:
John Mayer – Continuum
Ben Harper – Both Sides Of The Gun
Béla Fleck and The Flecktones – Hidden Land
Maria Bethânia – Mar de Sofia / Pirata
Cordel do Fogo Encantado – Transfiguração
Pearl Jam – Pearl Jam
The Racounters – Broken Boy Soldiers
Thom Yorke – The Eraser
Créditos: Rodrigo Simas
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