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DMB
A Saga Lillywhite Completa Pt. 5 13/6/2007

3 de novembro de 2000 foi o dia que as Lillywhite Sessions morreram.

O site oficial da DMB anunciou que o disco novo seria, bem, novo. A reação dos fãs foi bem parecida com o que aconteceu em New Jersey depois da "Guerra dos Mundos" de Orson Wells. Pouco depois do anúncio oficial, os fãs ficaram sabendo que Dave tinha usado guitarra elétrica. Mais pânico. O resto da Matthews Band ainda não tinha ouvido todas as músicas do disco, uma pessoa postou nos fóruns no começo de novembro. Ah não. Esse disco novo, escrito em parceria com o mago do pop Glen Ballard, já estava considerado morte certa antes mesmo de ser gravado. Uma onda de calmaria atingiu os fãs quando a turnê de inverno foi anunciada. A esperança era que A) As músicas novas seriam tocadas nos shows(e amadureceriam um pouco) e B) As amadas músicas das Lillywhite Sessions seriam ouvidas talvez pela última vez.

O primeiro show da turnê em dezembro contou com uma música das Lillywhite Sessions, Grey Street. Provavelmente este não foi um ato pensado proposital, mas a noite do show e o dia seguinte os fóruns de discussão se encheram de pânico. O que aconteceu com as outras músicas? Por que eles não estão tocando as músicas do disco novo? Quão ruim serão elas? E daí por diante. O show seguinte fez com que todos pensassem que as coisas haviam voltado ao normal, duas músicas das Lillywhite Sessions e um post anônimo no DMB ML dizendo que a banda ainda não tinha tido tempo de aprender as músicas novas impediu que os desesperados colocassem fogo no castelo. Mas mais músicas das Lillywhite Sessions foram tocadas nos shows seguintes durante todo o mês de dezembro. Alguns fãs começaram a achar que tinham algum poder sobre a banda. Será que as reclamações sobre os shows de 3 e 4 de dezembro conseguiram mudar as coisas?

Foi também nessa mesma época que os fãs ouviram as primeiras músicas das novas sessões. Everyday apareceu em um show como uma outro para a música #41. Os fãs pareciam neutros quanto à essa música. Alguns até chegaram a comentar quão genérica a música era imaginando que a letra poderia facilmente ser extraída e colocada com um simples backbeat de #41.

Gravações em IEM (o sistema de comunicação interna da banda e equipe, usado durante os shows e passagens de som, por rádio) pegaram teases de I Did It, Angel e When The World Ends. Estas gravações não chegaram a cair na internet até depois do lançamento do disco. A única que recebeu atenção dos fãs foi o tease de Angel, que alguns reconheceram como uma antiga intro de Jimi Thing.

Em 3 de janeiro de 2001, os fãs finalmente ouviram a primeira música do disco Everyday: I Did It. Além de tocar no rádio, a Red Light Management soltou a música no Napster.

A reação foi quase imediata. O lado bom foi que a participação de Boyd cantando (no estilo rap) foi vista como algo positivo. Mas por outro lado, todo o resto era uma droga. E, sim, as críticas foram cruéis assim.

Curta demais, pop demais, ruim demais, letra simples demais. Os fóruns ficaram repletos de mensagens como "quem consegue pensar numa razão melhor pro título da música 'I Did It'(eu fiz isso)? Eu fiz isso!  Eu me inspirei em uma ida ao banheiro!", e por aí foi.

Com certeza, não era isso que o management da DMB esperava da base de fãs.

Em 12 de janeiro o segundo trecho de audio do disco Everyday foi colocado no website promocional do lançamendo do disco. When The World Ends recebeu uma reação melhor do que a música do dia anterior, The Space Between. Neste trecho de The Space Between colocado no site em 11 de janeiro se ouvia claramente um piano na música, apesar do fato de não haver um pianista na DMB (essa era a época pré Butch Taylor). Os trechos das músicas, assim como o produtor do disco, só precisaram de uma primeira olhada pra que o veredito final fosse dado, e quando se soube que o próprio Ballard era o pianista na música, o veredito foi o pior possível.

"When The World Ends", ao contrário, foi recebida mais positivamente que as outras 2 músicas até então conhecidas do novo disco. Mas mais de um fã da área de Charlottesville postava nos fóruns dizendo que havia algo mais nessa história. A infame palavra com P foi cogitada, Plágio é uma acusação seríssima em qualquer situação, especialmente quando se trata de música, e mais fãs da área de Charlottesville acharam que WTWE era um pouco parecida demais com uma música de outra banda local de Charlottesville, que tinha até no refrão "When The World Ends" (quando o mundo acabar) repetindo várias vezes e diversas situações mencionadas, bem parecida com a música da DMB. Mas a idéia do mundo acabar não é exatamente novidade no mundo da música, e devido à menção de Dave da inspiração para algumas das músicas, parecia somente coincidência. Mesmo assim 2 artistas, da mesma cidade, usando basicamente a mesma letra em suas músicas, especialmente quando um deles era num estilo funk, desagradou alguns fãs.

E mais fãs acharam um trecho de audio escondido. Fool To Think estava no link nomeado errado como So Right, em uma página da internet. Esse foi o clip que as pessoas adoraram, que deixou os fãs felizes. O clip continha os primeiros 20 segundos da música - antes de Dave começar a cantar. Naquele clip, todos os membros da DMB tiveram uma chance de brilhar. "Viram?", alguns disseram, "Essa é a música que soa como a boa e velha DMB! Aí está o Boyd! Aí está o Leroi!".

Fool To Think foi a música que deu aos duvidosos esperança de que o disco teria o som da DMB a não ser pelas 3 músicas que os fãs já conheciam. Na verdade, nós fãs fomos os tolos (fools) que achamos que o som da DMB estaria lá, no disco.

O refrão de Fool To Think marcou o fim daquele chamado som da DMB. Dave começava a cantar o que soava como uma música ruim do Police (Synchronicity III era o apelido dado para a música online). Fool To Think então se tornou a grande mentira, a faixa do disco que tinha dado a esperança de que a antiga DMB ainda existia e estava presente, mas tudo não passou de uma farsa mal feita.

Os trechos de Dreams Of Our Fathers e Sleep To Dream Her apareceram no site, mas nenhum dos dois ajudou. Dave fez algumas performances solo em rádios, e o audio dessas apresentações rapidamente se espalhou pela comunidade online. Nada novo veio com essas apresentações pré Everyday, a não ser mais fãs amargurados.

Por volta de uma semana antes do lançamento do disco em 27 de fevereiro de 2001, o disco Everyday vazou para o mundo do mp3. A reação foi horrível nos diversos fóruns.

Quem sabe dizer por que o disco vazou? Talvez foi para assegurar aos fãs que as músicas não eram tão ruins? Talvez foi uma pessoa vingativa próxima da banda que gostava mais das músicas obscuras das Lillywhite Sessions? Talvez foi algum moleque que o pai trabalhava em uma rádio e por isso conseguiu uma cópia adiantada? O por quê não importa, os resultados sim. Antes que o disco sequer chegasse nas lojas, os fãs da DMB decidiram que o album era uma droga. Quase imediatamente(e antes que Everyday fosse lançado oficialmente), os fãs já ansiavam e pediam as Lillywhite Sessions.

Mas conforme as coisas aconteceram, o disco Everyday acabou sendo um sucesso financeiramente(mais sobre isso mais para frente). O album estreou em primeiro nas paradas, vendendo mais de 732 mil cópias somente na primeira semana. As vendas totais chegaram a quase 3 milhões de cópias até o final de 2006, e também foi o disco que chegou mais rápido aos 2 milhões de cópias vendidas. O disco manteve seu poder de vendas por quase metade do ano, com uma performance forte da música The Space Between nas paradas de singles.

Mas vamos olhar mais perto para esses números. Primeiro, Everyday já tinha a fama de ter sido o disco escolhido ao invés de outro disco descartado (para o fã casual) e foi o primeiro disco de estúdio depois do aclamado Before These Crowded Streets de 98, fazendo com que o disco fosse duplamente esperado.

Houve também o sucesso da música The Space Between, mas as pessoas que gostavam de escutar The Space Between não compram os próximos discos da DMB, não vão aos shows nem ligam pra nada relacionado à DMB. (Uma curiosidade: a mulher de um amigo meu tinha The Space Between no seu ipod em 2001. Eu perguntei se ela gostava de DMB, ela respondeu "Não, eu não suporto a banda, mas eu gosto dessa música". Adiantemos para o ano de 2006, meu amigo, a mulher dele, minha mulher e eu vamos jantar fora. Crush está tocando no rádio do meu carro quando vamos pegá-los. Ela reclama em alto e bom som "desliga essa merda". Esse é o típico fã do Everyday).

Diversos websites apareceram com abaixo assinados e petições pedindo que as sessões feitas com Lillywhite em Charlottesville fossem lançadas. Mas outra coisa engraçada aconteceu na mesma época: pessoas começaram a postar nos fóruns falando do quanto era maravilhosa a cópia das Lillywhite Sessions que elas tinham, de pura brincadeira. Mencionavam a ótima outro de JTR, a misteriosa Build You a House, a jam antes de Grace Is Gone. A súplica por trechos das citadas músicas - a prova concreta - nunca era respondida.

No começo de março, um frequentador assíduo do forum do site Nancies.org anunciou que tinha recebido a cópia de um disco e não sabia se era verdadeiro(nessa época havia virado moda surgirem nos fóruns falsificações alegando serem as famosas sessões). Duas músicas que ele mencionava eram JTR e Bartender, esta última soando um pouco diferente das versões já conhecidas ao vivo. Depois de ser bombardeado com emails e posts exigindo que ele compartilha-se o que tinha nas mãos, ele se sumiu da comunidade online. Deus ex machina decidiu o destino das Lillywhite Sessions.

Em março de 2001 (por volta do dia 15), Craig Knapp, o cantor da conhecida banda cover de DMB chamada Ants Marching, recebeu um pacote por correio. Dentro do pacote, estava um disco, intitulado The Summer So Far. A nomenclatura era uma maneira que Steve Lillywhite tinha para armazenar várias versões de músicas gravadas nas sessões. Craig escutou o disco e percebeu imediatamente que o que ele tinha em mãos era o Santo Graal da DMB - as Lillywhite Sessions.

A pessoa que mandou o disco tinha um nome. Tom Griffin é o que dizia no remetente. A estória que ele conta parece um livro de espionagem.

Griffin era um estudante na universidade de St. Bonaventure na época e ofereceu a Craig uma cópia das "Não lançadas Everyday Sessions" - incluindo 4 músicas nunca tocadas ao vivo. Ele recebeu a cópia dele de um "amigo" que tinha uma casa nas montanhas na região de esqui de Colorado. O tal amigo tinha sido autorizado a escutar o disco por um membro da própria DMB, que estava na tal casa de esqui no inverno de 2000. Enquanto o tal membro da DMB estava fora esquiando, o disco tinha sido "liberado", copiado e devolvido ao seu lugar original, sem que o membro da DMB soubesse. O "amigo" então deixou que Griffin escutasse o disco, quando voltou para a faculdade. Griffin tinha então passado uma cópia para Craig, o cantor da banda cover que ele tinha visto tocar em 2000, para que Craig pudesse tirar e tocar as músicas novas (ele dizia).

O tal membro da DMB não foi identificado nenhuma vez na estória toda, mas é conhecido que somente um membro da DMB vende snowboards e pratica snowboard, então é fácil que você tire sua própria conclusão de quem seria o membro que teve o disco "roubado".

Craig tinha o que se acreditava na época que seria a décima primeira cópia do disco Summer So Far, se contarmos: a dele, a de Tom Griffin, a do amigo ladrão de Griffin, a de Steve Lillywhite, a de Steve Harris(o engenheiro de som que trabalhou nas sessões descartadas e mais tarde foi o produtor do disco Busted Stuff), a de Bruce Flohr(o representante de A&R da RCA para a DMB) e as dos 5 membros da DMB.

O disco não era album completo. Na verdade, ele continha uma espécie de "best of" das músicas das sessões. Steve Lillywhite havia colocado naquele disco as músicas que tinham as melhores gravações ou as gravações que ele mais gostava.

Se você escutar com atenção o disco verá que as primeiras 4 músicas estão um pouco mais baixas que a quinta música, JTR. O começo das gravações no disco é da última fase das gravações em estúdio( talvez do começo de maio). Você pode notar que no refrão de Grace Is Gone quase parece que Dave canta "Grave Street", dando a entender que a versão nas Lillywhite Sessions provavelmente não era a versão final da música.

Grace Is Gone começa com meia nota atravessada no começo. Esse é o final de uma nota da música The Prelude, uma jam de introdução que ficou de fora das Lillywhite Sessions. As gravações no disco de Bartender até Raven parecem ser do começo das gravações das sessões em estúdio. A versão de Monkey Man que aparece no disco pode ter sido descartada muito antes do final das gravações em estúdio, em maio. Lembre que ela estava sendo chamada de Golden Monkey por volta de março e abril.

Craig Knapp estava em um dilema: queimar uma cópia do disco que tinha em mãos ou literalmente queimar aquela cópia do disco que tinha em mãos?

Continua...



Créditos: Por Jake Vigliotii, Tradução: Nathalie Colas

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