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DMB
Nenhum descanso para Matthews 2/8/2007

Nenhum descanso para Matthews e suas turnês

Desde o começo humilde no porão da casa da mãe do baterista Carter Beauford e o crucial show às terças no Trax em Charlottesville, na Virginia, a Dave Matthews Band se tornou a maior história de sucesso em turnês a emergir dos anos 90.

Aproveitando e depois deixando para trás o cenário das jam bands pós-Grateful Dead, a DMB se tornou, simplesmente, o maior fenômeno em turnês entre as bandas americanas. Na verdade, só há uma banda que vendeu mais ingressos que a DMB nesta última década: os Rolling Stones.

O fundador e quem dá nome a banda, Dave Matthews, era um relutante líder quando deixou para trás sua carreira de bartender. A banda nunca dependeu de tocar suas músicas no rádios (apesar de algumas delas tocarem) ou de discos de platina (apesar de também ter recebido vários). A Dave Matthews Band é uma banda de turnês, uma das de maior sucesso em toda a história de turnês, e sua conexão com os fãs é através das apresentações ao vivo, diretamente do palco para a platéia.

A Billboard conversou com Dave Matthews neste momento em que a banda se prepara para embarcar em mais uma intensa turnê americana.

Matthews estava relaxado, pensativo e sempre modesto enquanto falava do passado, do presente e do futuro da DMB, e sobre como é importante "acertar".

P: Desde os primeiros ensaios da banda no começo dos anos 90 em Charlottesville você já percebeu uma química especial?

Dave: Desde de bem cedo eu percebi que a banda tinha uma espécie de "vida própria". Da primeira vez que nos reunimos, foi bem estranho, acho até que atraímos alguns olhares de quem estava do lado de fora do porão da mãe do Carter. Mas pouco depois disso, com certeza por volta do nosso primeiro show, quando nós tocamos até nós mesmos nos surpreendemos com como as pessoas responderam bem ao nosso som.

Nos nossos primeiros shows só tinhamos 4 músicas e as esticávamos ao máximo, e isso acabou se tornando algo definitivo na nossa evolução. Não foi planejado, e acabou continuando daquela maneira, e da melhor forma ainda continua até hoje.

P: Turnês longas e numerosas sempre foram parte do plano?

Dave: Era a única coisa com a qual podiamos contar no início, e de certa forma tem sido a única coisa com que contamos desde então. Nós tivemos bastante sorte com nossos CDs e um pouco de sorte com rádio, mas isso nunca realmente estourou. Este lado, da indústria fonográfica e esta parte comercial. Meio que sempre acompanhou mais do que liderou. Existe uma estranha independência da maneira como chegamos aqui, ao ponto em que estamos hoje. Eu sei que tem gente que diria que somos bastante mainstream, mas com certeza chegamos aqui de uma forma bastante única e diferente, e nos mantemos aqui de uma forma bem diferente também. Se a indústria fonográfica chegasse ao fim certamente isso não nos mataria, ei, pode ser até que nos ajudasse.

P: Parece que sua carreira de estúdio e sua carreira ao vivo estão de certa forma em caminhos paralelos.

Dave: Isso é totalmente verdade, e o que tem sido o mais verdadeiro, a carreira ao vivo, os shows, parece até hoje ter sido o lugar onde as coisas são resolvidas das mais diversas maneiras, seja o som, relacionamentos ou músicas. A evolução parece acontecer sempre lá. Um dia iremos fazer nosso melhor disco, mas ainda não aconteceu. São duas coisas distintas. De um lado, as turnês, nas quais somos formidáveis, já do lado das vendas de discos, nem tanto.

P: Qual é a maneira com a qual a banda lida com os setlists?

Dave: Varia muito. No momento, eu costumo escrever uma idéia que tenho para um setlist e passamos de mão em mão, mudamos um pouco aqui e um pouco ali eo transformamos em algo que seja confortável, mas também um pouco arriscado. Certas músicas ficam de fora por alguma razão e não aparecem por um tempo, mas elas eventualmente voltam e reaparecem nos setlists.

Nós também damos uma olhada online no que as pessoas gostariam de ouvir, ou escutamos em algumas conversas quais músicas os fãs gostariam de ouvir, e se são músicas que nós também não nos importaríamos de tocar ou que começamos a voltar a tocar, aí tentamos trazê-las de volta aos setlists.

P: Ainda é divertido tocar ao vivo?

Dave: Ah sim, é divertido, e também é bastante pressão, tem sempre os dois lados. Você tem que tocar, você tem que acertar. Você TEM que acertar, não pode fazer pela metade. Mesmo que esteja exausto e não tenha dormido, você tem que subir lá e dar tudo de si, porque se você não der, você é um completo idiota.

P: Somente uma banda vendeu mais ingressos do que a DMB na última década, os Rolling Stones. O que você pensa quando ouve estatísticas como essa?

Dave: Me incomoda um pouco. De certa forma minha resposta é manter minha cabeça abaixada e não dar muita atenção pra esse tipo de coisa, porque isso torna as coisas mais intimidantes. O que faço é simplesmente vir trabalhar enquanto há trabalho a ser feito e depois ir pra casa e tentar criar meus filhos direito.

Entrevista cedida a Ray Waddell, em Nashville, para a revista Billboard, em julho de 2007.



Créditos: Texto: Ray Waddell - Tradução: Nathalie Colas

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