Gravado na última turnê de verão americana, em 2007, Live At Piedmont Park traz a Dave Matthews Band com uma produção de palco monstruosa, repertório variado (o único CD não representado é o controverso Everyday) e a energia e técnica já conhecidas. Acompanhados por Butch Taylor nos teclados e Rashawn Ross no trumpete durante toda a apresentação, a banda desfila alguns clássicos, mostra novas composições, como a excelente Cornbread e a mediana #27, e brinda os fãs com raridades como The Dreaming Tree e até um pequeno trecho de #40. O DVD também foi lançado em CD triplo e, quem encomendou da pré-venda pelo site oficial, ganhou um CD bônus com faixas tocadas durante a turnê, mas que acabaram ficando de fora desse show. Entre elas, a empolgante Sweet Up And Down e a linda Shotgun, talvez a melhor de todas as novas.
Abrindo a apresentação com One Sweet World e com a platéia já vencida, Two Step vem em seguida e mostra que, antes de mais nada, é a Dave Matthews Band que está no palco, e isso por si só já é o suficiente para um grande espetáculo. Leroi Moore é o aniversariante do dia, ganha os parabéns do público e tem direito até a uma puxada de “Happy Birthday To You” pelo piano de Butch Taylor. Os três telões gigantes funcionam individualmente ou combinados e a edição feita na hora é perfeita, captando os momentos dos solos, da empolgação de cada músico tocando e de cada detalhe ocorrido durante as músicas. Mais importante do que qualquer outra coisa, a DMB parece se divertir, e muito, durante as duas horas e meia de show.
Ants Marching, do DVD Live At Piedmont Park
Mas nem tudo são flores. Levando-se em conta que os fãs aguardavam ansiosamente esse lançamento desde o último DVD oficial, The Central Park Concert, gravado em Nova Iorque, em 2003, Live At Piedmont Park não supera as melhores expectativas. Ainda mais se pensarmos no irretocável DVD da dupla Dave Matthews & Tim Reynolds, Live At Radio City Music Hall, lançado há menos de seis meses. Talvez pela pressa em lançar antes do Natal, talvez por simples desleixo, algumas falhas que não têm nada a ver com o show em si acabam atrapalhando o resultado final do produto.
A mixagem não é boa no som 5.1 e não há como entender o porquê do sax aparecer tão baixo em algumas músicas, principalmente em Grey Street (o solo final é praticamente inaudível), enquanto o violino de Boyd Tinsley fica altíssimo em toda a apresentação, mesmo quando não precisa de nenhum destaque. A guitarra em Eh Hee parece ter sido esquecida e os vocais de apoio do Carter somem em diversas músicas, sem maiores explicações. A edição (bem diferente da captada pelos telões) não é ágil, perde diversos ângulos em partes imprescindíveis e tem alguns cortes abruptos, prejudicando a continuidade do show. Além disso, a filmagem não consegue, em praticamente nenhum momento, passar a grandiosidade que é a estrutura do palco da Dave Matthews Band. Pena pra quem não pôde ir em nenhum show da turnê e ver com os próprios olhos.
Mas, como dito anteriormente, é a DMB que está no palco, e isso é motivo de sobra para termos incontáveis momentos memoráveis em Live At Piedmont Park. Da nova introdução de Anyone Seen The Bridge, passando pela jam “salsa” de Warehouse (onde o destaque é Rashawn Ross) e What Would You Say com participação especialíssima de Warren Haynes (presente também no DVD The Central Park Concert), as surpresas não param por aí: Eh Hee, outra das novas, tem projeções nos telões feitas especialmente pra ela. Don’t Drink The Water aparece pesada, com vocais nervosos de Dave Matthews, enquanto You Might Die Trying, uma das melhores do disco Stand Up, tem sua jam no final estendida e reelaborada. O próprio Greg Allman canta e toca sua guitarra em dueto com Dave Matthews no clássico Melissa, dos Allman Brothers, em clima emocionante. Too Much aparece com sua versão em câmera lenta e a volta do bis com All Along The Watchtower e Ants Marching fecha a noite de forma apoteótica.
Butch Taylor já é, faz algum tempo, praticamente o sexto membro da Dave Matthews Band. Suas texturas e arranjos são parte integrante das músicas e contribuem para que os antigos clássicos ganhem nova vida. Rashawn Ross, que participa dos shows desde 2005, também parece ter encontrado seu lugar no palco. Divide com Leroi a maioria dos solos, resultando em duetos incríveis com o saxofonista.
No geral, um bom DVD, que tenta representar um belíssimo espetáculo, mas que acaba esbarrando em problemas técnicos primários. Nada que consiga abalar a apresentação da Dave Matthews Band, que desempenha seu papel com perfeição. É obrigatório para todos os fãs e serve como um registro histórico de um momento importantíssimo na carreira da banda e da excelente turnê de verão de 2007.