Essa é a segunda parte do texto que nossos amigos Daniel Porto e Fernando Mirandez escreveram para contar tudo sobre a viagem da DMBrasil em 2007 para os shows da Dave Matthews Band nos EUA. Se você ainda não leu a primeira parte, clique aqui e leia agora. Se já leu, deve estar ansioso para continuar...
Cornbread e Shotgun - Por falar em vídeos reduzidos, um pequeno vídeo de Cornbread está abaixo. Dentre as músicas novas, ficou muito claro que é a preferida da banda e do público, tendo sido tocada em todos os shows da turnê (e sendo a única música repetida que vimos nos 4 shows da Flórida). Como a música evoluía a cada dia, ninguém achou ruim essa repetição, muito pelo contrário... O que começamos a temer era pelo sumiço das outras novidades da turnê, notadamente Sweet Up&Down e Shotgun. Será que elas não tinham sido trazidas para a Flórida e ficaríamos só na vontade? Pois lá por meados do primeiro show em West Palm Beach (14.9), a banda engata as 2 músicas, na seqüência... Aliás, os seguranças dos setores mais próximos do palco em West Palm Beach pareciam cães de guarda, quase que um de nós é expulso do show no dia seguinte (nesse ambiente, um vídeo de 44 segundos de Sweer Up & Down foi o que conseguimos...). Fato é que sentamos em ambos os dias de West Palm Beach em lugares melhores dos que os obtidos via Warehouse. Descobrimos na prática que as seções mais perto do palco são destinadas a convidados da banda e uns poucos sortudos, mas também a quem tem paciência e sangue frio de ficar na bilheteria (isso mesmo) até minutos antes do show aguardando a liberação de ingressos extra quase no gargarejo... Na verdade, para boa parte das pessoas, o que interessa não é o show, nem o setlist, nem o lugar que sentam...
Cornbread
Shotgun
Sweet Up And Down
Tailgating – Quem acompanha os fóruns americanos sobre a DMB já deve ter visto a euforia que toma conta das pessoas nos dias que antecedem os shows. Entre os assuntos mais comentados, é bastante freqüente as pessoas perguntarem sobre o “tailgate”. Ainda que não haja uma tradução precisa para o termo, podemos dizer que “tailgate” é uma espécie de churrascada feita nos estacionamentos. Ao chegar a um show da DMB, sempre pelo estacionamento dos anfiteatros, se vê uma quantidade incrível de mini-churrasqueiras portáteis e geladeiras térmicas junto aos carros, com as pessoas comendo, bebendo muita cerveja, ouvindo DMB e jogando (eles adoram ficar trocando passes com bolas de futebol americano ou atirando sacos de areia em caixas com buracos), tudo isso sempre debaixo de um solzão incrível. É como se tivessem ido ao parque, e não a um show. Em certa medida, isso acontece porque dentro dos shows da DMB, ou não há venda de bebida alcoólica, ou o preço é bastante alto. A verdade é que os shows na verdade são um evento pros americanos. Dentro dos anfiteatros, por exemplo, a estrutura é enorme, com várias opções pra se comer, beber e até umas barracas com jogos como se fosse mesmo um parque (eles chamam “carnival”). Isso é tão bem montado que é muito comum, durante o show, você olhar pras barracas e ver um monte de gente lá fora, simplesmente comendo, bebendo e batendo papo. Vai entender...
Toilet Intro – Uma das principais razões para o alto consumo de bebidas nos shows da DMB é, certamente, o absurdo calor que faz naquela terra, principalmente na Flórida. A banda também sofre por isso, em especial o Dave, que depois de duas músicas já está com a camisa toda suada. Entretanto, pra nossa sorte (confirmando a tese tupiniquim de que “Deus é Brasileiro”, já citada no tópico sobre os furacões), o calor abusivo acabou gerando um presente musical para quem estava naquele primeiro show de West Palm Beach (14.9). Poucas horas antes, nosso líder e guia espiritual Rodrigo Simas, a convite da banda, tinha assistido à passagem de som daquele show, e havia nos adiantado que eles ensaiaram e possivelmente tocariam duas novidades na turnê: “If I Had It All” e “You Never Know”. O fato é que, no show, quando a banda deu os primeiros acordes de If I Had It All, Dave abandonou o palco. Foi um abandono de bem uns cinco minutos, absolutamente inesperado, mas fomos presenteados porque a banda engatou numa intro improvisada que foi das coisas mais lindas já vistas. Aqui há uma controvérsia: alguns membros na nossa intrépida trupe disseram que o Dave teve de sair pra trocar a camisa, àquela altura já completamente ensopada, e juram que ele voltou com uma nova; outro membro da turma tem certeza que ele teve foi uma agudíssima dor de barriga, e teve de sair para atender ao chamado da natureza, aquele que em última instância faz com que todos homens sejam homens... Enfim, o fato é que agradecemos o presente, carinhosamente nomeado “Toilet Intro”. Viva a DMB!
Papo com Dave - Por falar em presente, o maior deles estava por vir. Estávamos todos no quarto do hotel, comendo e falando sobre o show daquela noite, quando o insider R.Simas adentra o recinto com a notícia: “O homem quer conhecer vocês!”. Nervosismo à flor da pele, no domingo, último dia em solo ianque, fomos todos ao hotel onde a banda estava hospedada para conhecer o Dave. As reações eram as diversas: uns quietos, outros falantes, todos nervosos, principalmente depois do “papo amigo” dos seguranças do hotel que nos convidaram a nos retirar da piscina (isso gerou uma das frases da viagem, proferida pelo Darryl, chefe da segurança pessoal da banda: desculpando-se pelo atraso e pelo cartão vermelho que tomamos da segurança do resort de luxo à beira mar - “I told them yesterday you would be here as guests of the Dave Matthews Band... Apparently they had their own agenda”, em voz solene, enquanto bebericava um drink). Foi aí que, quando a coisa parecia que ia dar errado – os horários dos vôos estavam já próximos e o Dave não aparecia pois tinha marcado de última hora com alguém para andar de bike – eis que ele aparece, camiseta boné e iphone, perguntando quem eram os amigos do Brasil. Ao conhecê-lo, pudemos perceber que é um cara diferente. Rockstar multimilionário e top-10 dos famosos nos EUA, o sujeito cumprimentou a turma um a um, olhando nos olhos, perguntando os nomes (pedindo para repetir quando não entendia) e dizendo “Hello, nice to meet you [nome da pessoa]. I’m Dave.” E depois, pra galera: “Thanks for coming. Did you guys have a good flight? Are you enjoying the trip?”. O cara é sensacional. Embora curto, o encontro rendeu uma série de frases lendárias do Dave, como por exemplo: “I don’t make any easy for you...” (se dirigindo à Nathalie logo após a apresentarmos como tradutora do DMBrasil). Ainda sobre as letras das músicas, ciente da “complexidade” de algumas delas, declarou: “They (as letras) make sense... TO ME!” Fantástico!!
Ah, um alento pros brasileiros: ele confessou ter gostado muito do Brasil, principalmente São Paulo e Curitiba, e disse que pedirá aos managers que acertem definitivamente e pra logo a vinda da banda ao Brasil!
Esperamos ter conseguido transmitir pelo menos em parte as emoções que sentimos ao participar dessa viagem. Fica apenas uma recomendação: quem tiver a chance de conciliar uma viagem com show(s) da DMB, ou mesmo planejar uma viagem para que “coincida” com o tour de verão da banda, não pense duas vezes!