Artigo escrito por Joe Maliszeski, para o site AntsMarching.org, publicado 31 de outubro de 2008.
Fora o video das sessões de março, informações sobre o progresso do disco novo tem sido escassas. As poucas informações que tivemos vem de várias fontes, incluindo reportagens, entrevistas com membros da DMB e de pessoas envolvidas com a banda.
No início do ano, a DMB, Tim Reynolds e o produtor Rob Cavallo se reuniram em Charlottesville para começar a trabalhar em novas idéias e novo material. Além disso, algumas fontes mencionaram que músicas já muito tocadas ao vivo, como Shotgun, Sweet Up And Down e Loving Wings, foram trabalhadas nessas sessões de estúdio. Apesar das poucas notícias, parecia desde cedo que a direção do novo disco seguiria o estilo das músicas novas tocadas ao vivo de 2006 a 2008.
Então, em março, a banda pegou o material das sessões em Charlottesville e voltou ao estúdio, desta vez em Seattle. Nas sessões de Seattle o foco deixou de ser as músicas já desenvolvidas ao vivo e passou a ser compor material novo.
Dave Matthews Band - Shotgun
"Literalmente, foi um esforço colaborativo do começo ao fim", disse Boyd Tinsley. "Cada música foi composta por todos ao mesmo tempo - nós nunca fizemos isso antes". Dave explica um pouco mais: "Sentamos em círculo pela primeira vez em anos, nós todos de frente uns para os outros e fomos construindo as músicas juntos. Estou impressionado. Não sei como diabos acabei com essa turma, mas pelo menos musicalmente parece que estamos nos entendendo. As pessoas gostando ou não das músicas novas, isso por si só já é uma realização incrível para mim, o quanto estamos conectados intuitivamente nesse momento".
A banda trouxe, no entanto, o músico Danny Barnes para o estúdio para gravar alguns trechos de banjo para as novas músicas durante estas sessões, de acordo com fontes próximas à banda. Então, apesar do "clima relaxado" destas últimas sessões em estúdio, está claro que havia já uma direção a seguir com músicas específicas.
Dave Matthews Band - Rio de Janeiro, 30/09/2008
Dave comentou ainda sobre a idéia de tocar este material novo ao vivo durante a turnê, antes que o disco fosse lançado. "No passado fizemos isso, mas quero deixar que este disco novo evolua por si só. Há a música que tocamos no disco e a música que tocamos ao vivo. Existem cruzamentos delas, mas elas não são necessariamente a mesma coisa. E acho que isso faz com que fique interessante para os fãs".
Boyd Tinsley reforça o que Dave disse, que o foco do disco novo tem sido só músicas novas. "Nós temos várias músicas de todas as últimas sessões em estúdio que temos tocado e continuaremos tocando ao vivo, mas nenhuma delas estará no disco novo. Cada música neste próximo disco é algo fresco e novo que acabamos de terminar". Sobre o estilo das novas músicas, Boyd disse: "A sensação é como se estivéssemos no começo de novo, mas a música é bem diferente. É toda a empolgação de estar começando algo novo, começando algo fresco, é a mesma sensação dos nossos dois primeiros discos. Não digo isso com relação às músicas especificamente, mas o clima e a sensação é como nos discos Under The Table e Crash".
Eu tive a oportunidade de conversar com Dave Matthews durante a última turnê de verão. "Estamos trabalhando em um bom album. Compondo todas músicas novas e nos divertindo muito", ele mencionou espontaneamente sobre o disco. "A banda toda está compondo junta. É bem diferente, bem novo [...] Sentamos no estúdio em círculo, tem sido muito divertido". Ele continuou, descrevendo o processo que a banda seguiu para a gravação do novo disco. "Estamos compondo ao contrário. Começamos com umas jams, 10 minutos de improvisações e grooves". Ele comentou ainda que começaram com 75 destas jams e então escolheram suas 20 favoritas e depois enxugaram para 15 escolhidas e trabalharam essas 15. Para escutar parte do que Dave disse nessa conversa, clique aqui.
Carter Beauford - Rio de Janeiro, 30/09/2008
"Durante todo o processo fizemos tudo juntos", disse Boyd. "Desde as idéias para as músicas até compô-las totalmente, literalmente, e isso é algo que nunca tinhamos feito antes. Tem sido uma experiência incrível. E todos realmente adoramos as músicas". Depois dali, coube a Dave pegar o que a banda tinha começado e então trabalhar em cima da composição das letras para essas músicas, com planos de voltar ao estúdio depois que a turnê terminasse.
Esses eram os planos, mas a banda iria mudar para sempre antes que a turnê terminasse e eles pudessem voltar ao estúdio.
No final de junho LeRoi Moore, um dos fundadores da DMB, se envolveu em um acidente automobilístico e ficou internado em estado grave no hospital. Dois meses depois de começar um processo de reabilitação física, LeRoi morreu repentinamente, em consequência de complicações resultantes do acidente.
Surgiram questões sobre o futuro da turnê, o futuro do disco novo, o futuro da banda.
"Temos que ver como tudo evolui e estar abertos uns aos outros", Dave comentou quando questionado sobre como a banda estava lidando com a perda de LeRoi. "Esperamos que obstáculos surjam por causa da ausência de LeRoi. Talvez, de certa maneira, a tragédia faça com que as coisas aconteçam de maneira mais fácil. Com certeza a finalidade da morte, na minha experiência, faz com que você reflita sobre suas bênçãos".
Como isso irá mudar a banda e sua música? "LeRoi foi um dos fundadores da banda, mas o tempo nos faz mudar", disse Dave. "Espero que não imitemos a nós mesmos. Nossos detratores provavelmente diriam que nós não mudamos, mas há algo além da perda musical de LeRoi, sua ausência tem consequências fortes também no relacionamento e na dinâmica da banda, isso mudará nossa química, mudará tudo".
Dave Matthews - Chula Vista, 22/08/2008
Quanto às gravações que LeRoi fez nas sessões do começo deste ano, Dave comenta: "Tivemos muita sorte porque parte das músicas que gravamos já contavam com as partes de LeRoi, e sem dúvidas as músicas e as composições que fizemos, ele era uma parte essencial da maior parte disso e do espírito. Estamos fazendo tudo que podemos para que este disco tenha o máximo da participação dele".
Em outubro, Dave voltou ao seu plano original, trabalhar na composição das letras. Em um post recente no Twitter, Dave disse: "Estou trabalhando pesado nas músicas novas. Carter/Roi/Stefan/Tim/Boyd e eu trabalhamos duro nas bases. Estou ocupado com as letras". A influência e presença de LeRoi nas músicas é aparente. "Sinto falta do meu amigo hoje. Trabalhando em músicas que trabalhamos juntos e escutando ele tocar. Ele era meu grande amigo".
Com Dave trabalhando na composição das letras, o que podemos esperar do disco? "Sempre tivemos a tendência de acelerar o processo de gravação no passado, para que pudéssemos voltar logo para a estrada", disse Dave. "Mas por diferentes motivos, temos que realmente nos esforçar para fazer algo que seja a culminação de todos os anos que tivemos juntos". A banda não quer acelerar o processo, tanto em homenagem a LeRoi quanto pela integridade da música da Dave Matthews Band. "Vamos levar todo o tempo que acharmos necessário".
Tempo eles tem. As sessões de Cavallo Studio Sessions 2008 terão o mesmo destino que as sessões de 2006 e 2007? Este é um momento crucial na vida destas sessões. Se elas vão morrer como as outras sessões que as antecederam, este seria o momento para isso. Mas essas sessões parecem ter vida e a banda parece ansiosa para trabalhar duro e terminar o disco. E mais ainda, os fãs estão ansiosos para escutar o material no qual a banda está trabalhando. As sessões/disco ainda estão progredindo e o Antsmarching.org se manterá informado sobre o disco novo e publicará qualquer novidade que conseguir.
Nesse meio tempo, todos ficaremos alertas para o site do novo disco de estúdio, esperando ansiosos por algo além do "Coming Soon" ("Em breve").