Quarta-feira, 15 de abril. Acordo bem cansado pelas 4 horas de sono, mas pronto para cair na estrada de novo (3 horas ida + 3 de volta) e extremamente ansioso! Existe uma certa “rivalidade” entre os fãs que curtem o show no MSG e os que vão ao Izod Center (apesar de boa parte ir aos dois). Fato bobo, mas é engraçado ver cada um puxando a sardinha para seu lado. Algo como uma rivalidade Brasil X Argentina mas dentre os fãs de cada arena.
Ontem boa parte do pessoal que conheci estava exaltando o show daquela noite (e com razão), e dizendo que seria certeza que no dia seguinte não teria comparação, seria muito pior. Fiquei com isso na cabeça, e fui boa parte do caminho curioso em saber se a noite no Izod iria superar a anterior. Antes de falar sobre o show, acho importante passar uma idéia sobre a organização do evento. Desde a entrada no complexo onde fica a arena, até estacionar o carro foram no máximo 10 minutos. Mesmo tempo na saída. Mesmo com mais de 20 mil pessoas presentes (a exemplo da noite anterior), acho que a única fila expressiva que encontrei foi para comprar cerveja. Nem nos banheiros existia fila!
A abertura ficou por conta de uma banda chamada Eli "Paperboy" Reed and the True Loves. Uma mistura de soul e R&B dos anos 50 e 60 mas adaptado para as rádios de hoje. Por volta das 20h o ritual se repete. Cortinas se levantam, silhuetas iluminadas, cortinas se abaixam, e: BARTENDER!!! Que opener fenomenal! Destaque total para a jam final entre o Jeff e o Rashawn, que, acredito eu, seja o que chamaram de “If I Only Had a Brain”.
Stay Or Leave - 15/04/2009
Hoje tentei prestar mais atenção na disposição do palco, e deu pra perceber algo que acho determinante para mostrar o momento da banda: ao lado direito de quem está de frente ao palco, ficam Stefan (no mesmo lugar de sempre), Rashawn exatamente ao seu lado, e ao lado do Rashawn fica o Jeff (que por sinal é o ponto mais discreto do palco, e fica ao lado das caixas e mesas de som e iluminação).
Daí a impressão (real) de que o Jeff está mais “tímido” neste início de turnê ... ACHO (opinião minha) que por respeito ao Leroi (não sei se a decisão para essa turnê partiu do Jeff ou da banda), o lugarzinho no palco do saudoso “GrooGrux King” continua intacto. Fica até estranho ver aquele lugar vazio no palco, mas ao mesmo tempo nos dá a sensação e nos lembra de que Leroi sempre estará com a banda.
Voltando ao show... satellite indicava que o setlist seria bem diferente (o que infelizmente não se confirmou depois). Granny é sempre ótima, e já tinha indicações de que apareceria hoje após ser trocada por Pig no setlist de ontem. Stay or Leave não teve nenhuma grande diferença em relação à versão tocada em alguns shows de 2008, mas pessoalmente era uma das músicas em que eu sempre ficava na expectativa de ser o sortudo de ver ao vivo full band (só vi Dave & Tim no Farm Aid do ano passado). Nessas horas dá aquela sensação meio que anestésica, de não acreditar que você está realmente ali (à exemplo de Raven ontem).
Funny the Way It Is foi executada exatamente como ontem, e foi seguida por outra boa surpresa: Burning Down The House (não esperava um cover tão cedo nessa turnê). Uma coisa bacana nesse momento (já era a sexta música na noite) foi perceber como a banda está “uniforme”. Após um ano de 2008 louco, com o anúncio da saída do Butch às vésperas da turnê de verão, terem que re-ensaiar boa parte do repertório (já que praticamente todas as músicas tinham o teclado como fator importantíssimo nas jams), e principalmente a perda do mestre Leroi e a entrada do Jeff, 2009 será um ano extremamente decisivo para o futuro da DMB.
Fiquei extremamente feliz e realizado por ver como eles dão provas de que estão encarando e assimilando muito bem tudo isso. O lugar do Leroi continua no coração de todos (e no palco também, pelo menos até o show de New Jersey) e a banda parece ter encontrado o equilíbrio. As jams são muito bem divididas (sem muitos destaques individuais), e a alegria parece estar cada vez mais presente no palco. Parece que a banda encontrou motivos para sorrir novamente.
Spaceman - 15/04/2009
You Might Die Trying foi a primeira “repetida” da noite (tirando músicas do Big Whiskey And The GrooGrux King), mas não decepcionou. As jams nessa música estão tomando um rumo muito bacana! Spaceman veio em seguida, e a surpresa ficou por conta do telão: imagens de um garoto de rua com a camisa do Brasil!!! A impressao que dava era de ser uma filmagem amadora ... será que pode ter sido alguma imagem retratada pela banda ou equipe durante a passagem pelo Brasil em 2008?
When The World Ends foi muito bem recebida pelo público. Incrível a quantidade de isqueiros sendo acesos durante o verso “when the world ends, we’ll be burning one”. Crush veio logo depois, numa versão excelente e cheia de emoção. Destaque total para a jam entre o Jeff e o Tim. Recently foi ótima como ontem, e foi seguida por outra novidade da noite na minha opinião: CORNBREAD. Não, não estou brincando. Apesar dela ser presença constante (e até exaustiva) nos setlists desde 2007, finalmente rolou uma inovada! Muito boa a nova jam.
Bartender - 15/04/2009
Why I Am realmente parece ser a preferida do público dentre as novas, e foi seguida por Dancing Nancies (sempre ótima, mas sem nenhuma novidade), Grey Street, e o destaque da noite na minha opinião: TWO STEP. Antes de falar sobre essa versão, acho importante dizer que no papel, nunca imaginaria que esse poderia ser o ápice da noite na minha opinião. É claro que Two Step dispensa comentários, é um clássico, mas por sorte minha, dos 11 shows que fui até hoje ela estava presente em 8 (achava difícil se destacar após ter sido vista tantas vezes). A banda entrou em transe, com improvisações que eu nunca tinha visto em versão nenhuma até então (posso estar enganado). Em certo momento, o Carter puxa uma batida e transforma o Izod Center em uma balada de 20 mil pessoas!!! Não sou nem um pouco fã de música eletrônica, mas as batidas com influência notória colocaram todo mundo pra dançar, com direito até à iluminação no estilo discoteca no palco. Estou curioso para escutar gravações desse show e ver se esse momento conseguiu ser captado exatamente como tava rolando na arena. Pela segunda noite seguida ela fecha o set antes do encore, e não decepciona.
A banda volta para o bis com outra grande surpresa (e segundo cover da noite): The Maker. Essa versão entrou para minha lista como Top 3 (mesmo com o erro grotesco do Carter). Em um certo momento a câmera do telão deu um close no rosto do Dave, e era visível a emoção por parte dele no momento dos versos “oh, river rise from your sleep...”. All Along the Watchtower em uma versão quase indescritível (com direito a Stairway to Heaven e jam “old school” relembrando algumas versões de 98) fechou a noite com chave de ouro.
Voltei pra casa com um sorriso imenso no rosto, e feliz por perceber que independentemente dos fatores relacionados ao Butch, Tim ou Jeff e até mesmo discussões a respeito do novo CD, a alegria da banda está de volta e é isso o mais importante.