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DMB
Preview do documentário da FUSE 1/6/2009

Não é que a Dave Matthews Band seja uma banda fechada, a verdade é que eles escolhem bem os momentos nos quais vão revelar o que realmente sentem. Eles não são o tipo de pessoa que vai se abrir só porque Charlie Rose está conduzindo a entrevista. Nada contra Charlie Rose, mas essa é uma banda de uma cidade pequena que cresceu fazendo shows onde o público apoiava seus copos de cerveja no palco. É preciso um toque um pouco mais pessoal para que eles se abram.

Sam Erickson é um fã da Dave Matthews Band. Ele conhece Boyd desde o colegial - ele estava alguns anos depois do violinista no colégio. Seu instrutor de direção foi o pai de LeRoi. Ele cresceu indo assistir a shows das bandas Cosmology (a banda de John D'Earth) e do TR3 (o famoso grupo de Tim Reynolds). Ele lembra de ter assistido shows da banda Down Boy Down e depois ver Boyd Tinsley destruindo na música True Reflections, a futura música da DMB, com o sua banda Boyd Tinsley Band. E foi com a própria Boyd Tinsley Band que ele fez seu primeiro trabalho profissional como fotógrafo, tirando as fotos de divulgação do grupo. Em novembro de 1991, Sam estava no quase vazio Trax em Charlottesville para assistir seu primeiro show da Dave Matthews Band. Ele esteve presente de uma forma ou de outra em quase todas as sessões de gravações de cada disco de estúdio. Sam realmente conhece a banda.



O documentário que será exibido no FUSE TV entre 2 e 5 de junho (serão 4 seguimentos, um por dia, totalizando 2 horas) é "a mais completa biografia já realizada sobre a banda", de acordo com Erickson. Dizendo de outra forma, se você está lendo isso, é o tipo de documentário que você gostaria de fazer. A história começa no presente - se focando no próximo disco Big Whiskey and the GrooGrux King, mas o meio conta com videos, fotos e gravações da coleção pessoal de Erickson. A maioria são fotos exclusivas, nunca vistas antes.

Se você pegar sua cópia do disco Under The Table And Dreaming, tirar o encarte e virar na última página, encontrará uma foto granulada da banda. Ele que tirou. Ele é o primeiro nome listado na parte dos créditos que diz Additional Photography. Ele tirou fotos e filmou todas as sessões de gravação da banda, incluindo as de Big Whiskey. Sabe aquela famosa foto das gravações do Before These Crowded Streets onde se lêem os títulos de trabalho das músicas, incluindo a misteriosa MacHead? Ele tirou aquela foto também. Ele literalmente conhece a banda há 20 anos, que se sente obviamente à vontade com ele. O produtor/diretor Sam Erickson diz que o grupo se abriu como nunca havia se aberto antes. De conversas francas sobre LeRoi (aliás, ele diz que 'há uma quantidade tremenda de material sobre o LeRoi"), com reações cruas e emocionais de todos, a banda se abriu sobre as infames Lillywhite Sessions, sobre as sessões do Everyday, e discutem o que não funcionou no disco Stand Up...nada foi tabu. Pela primeira vez a DMB, segundo Erickson resumiu, "preenche as lacunas sobre o disco Everyday e as Lillywhite Sessions". O próprio Steve Lillywhite é entrevistado para dar sua perspectiva. A banda tem total conhecimento da reação dos fãs com relação ao Everyday, e eles falam em detalhes sobre isso. Bruce Flohr, o ex representante da gravadora RCA e hoje empregado da Red Light Management tem um papel fundamental no documentário, para tentar dar uma perspectiva geral de tudo. A banda contará como chegou àquele ponto (como a química falhou para eles, basicamente). "É quase uma catarse para a banda" diz Erickson comentando sobre o grau de abertura de todos. Você provavelmente já escutou Dave mencionar antes, mas ele ainda defende os discos Everyday e Stand Up, destacando que eles são bons em termos técnicos, mas não são a essência do que a DMB é.



Big Whiskey and the GrooGrux King
está mais na linha da DMB antiga. A reação dos fãs e da crítica já é otimista. O documentário captura o processo inteiro, desde as primeiras sessões de composição em Charlottesville, em Seattle para desenvolver as músicas, até o processo final de gravação em New Orleans. Os fãs terão a chance de ter uma visão muito pessoal e privilegiada da criação de uma música da DMB. Você verá Shake Me Like A Monkey, Why I Am e Seven começarem como idéias e poucos acordes e evouluírem até canções completas na frente dos seus olhos. A razão deste documentário é o disco novo - na verdade, cada "capítulo" tem seu nome inspirado em uma das letras de Big Whiskey, "Snake In The Woodpile" é um deles. Mas o conhecimento que Erickson tem da banda, e seu vasto arquivo de filmes e fotos é o que faz o documentário ser tão especial.

"É extramente gratificante poder mostrar 20 anos de material que eu coletei". Essa é a subestimação do mês. Quão bom é o material em questão, você se pergunta?Há algumas coisas que estão nas mãos de alguns fãs por aí, mas certamente nada que se diria comum. A versão de Typical Situation à qual nós nos referimos como Rubatega Demo, uma versão muito mais pessoal e intensa do que a que conhecemos hoje. Que tal aqueles populares vídeos de Van Ryper's que você encontra no YouTube? Tem um pouco deles também. E você verá e escutará algumas coisas bem raras de 1993 (Irving Plaza) e alguns vídeos de 1994 também. Em termos de material "nunca visto antes", Dave toca uma versão inicial de Captain durante a gravação do disco Before These Crowded Streets no Electric Lady Studios em Nova York. É durante essas mesmas sessões que você escutará também uma versão única da amada Dreaming Tree. Também há gravações de músicas sendo desenvolvidas nas turnês antes do disco Before These Crowded Streets. Em outras palavras, é o seu documentário dos sonhos. Em um momento cômico, Dave toca um pedaço da música Sugar Will e comenta sobre como frequentemente fãs pedem músicas mas ele não consegue lembrar das letras, Sugar Will sendo uma delas. Ele até menciona que fãs costumam pedir uma versão específica da música #40 (se referindo a famosa #40 (Always), gravada no Yoshi), mas que ele simplesmente improvisou a letra na hora, então está perdida para sempre pra ele. Essa parte do documentário poderia ter entrado na questão da "nunca ouvida" MacHead, mas além de um vídeo claro de uma sessão de desenvolvimento da música, ela não aparece no documentário.



As entrevistas foram feitas em sua maioria durante a turnê de primavera deste ano, com imagens ao vivo dos 4 últimos shows da turnê: Novo México, Arizona e os 2 de Las Vegas. Em uma visão única da banda, existem trechos que mostram passagens de som destes shows, e também uma conversa dos músicos durante o show, extraída do sistema de comunicação interna, usando os monitores de ouvido(que a banda usa para conversar entre si e com a equipe, durante as apresentações). É realmente um olhar único sobre a DMB.

Não se vê muitos documentários de bandas que tem uma parte dedicada à equipe. Isso demonstra o quanto a DMB é especial, você conhece até quem trabalha para ela. Você provavelmente já conhece o nome de Fenton Williams (da famosa frase "Do it for Fenton!", que virou até adesivo da banda), mas você também conhecerá outras pessoas que estiveram com a banda desde o começo. Segundo Erickson, "eles dão uma idéia de como era rodar por aí na van vermelha", ele comenta falando sobre a infame van que a DMB usava para fazer todos seus shows fora da região da Virgínia, nos primeiros anos de carreira.



Verdade seja dita, há tanto material que poderia facilmente virar outro documentário, ou dois. Não há nada planejado no momento, mas é muito bom saber que existe este material incrivelmente raro, e que existe um fã verdadeiro que pode montá-lo também.

Texto escrito por Jake Vigliotti, publicado pelo site AntsMarching.org em 29 de maio de 2009.



Créditos: Tradução: Nathalie Colas

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