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DMB
Dave Matthews na JAM Pt.1 13/9/2009

Um encontro exclusivo com o brilhante rock star sul africano, atualmente na Itália com a Dave Matthews Band, 11 anos depois do último show no país da banda que, nos Estados Unidos, foi a única a reunir uma platéia maior que a dos Rolling Stones, entre o final dos anos 90 e o novo milênio.

"Venha, eu vou te apresentar ao Dylan...", eu propus a Dave Matthews assim que saímos do elevador que nos trouxe ao Cortile degli Svizzeri, no coração de Lucca, que tem esse nome porque recebeu as brigadas da guarda suíça, o exército mercenário, que foi chamado para defender a cidade no século 17.

"E esse deve ser o Dylan? É lindo...", Dave me disse, claramente impressionado. Para constar, o Dylan do qual estamos falando não é o "Picasso do rock", a "voz de uma geração" ou "o melhor compositor vivo", mas sim um belo espécime da raça Coton de Tulear, um gentil e carinhoso cachorro que minha querida mulher Nicoletta possui.


Why I Am - Lucca Summer Festival, Lucca, Itália (05/07/2009)

Até Seth Friedman, manager que acompanhou Dave em sua turnê européia, adorou o pequeno Dylan. "Ele também vai assistir ao show?", ele perguntou.
"É claro", respondeu Nicoletta orgulhosa, "ele ficará na galeria VIP...". Dave, achando engraçado, disse tchau e foi embora.

Eu o veria, em algumas horas, subindo ao palco do Festival de Verão, vestido da mesma maneira simples (uma camiseta cinza esverdeada, calças jeans e botas de cowboy) que ele estava na coletiva de imprensa nas salas majestosas do Palazzo Ducale, que agora é onde ficam os escritórios da província de Lucca.

Ali, em frente ao numeroso grupo de jornalistas locais, ele soube responder muito bem às perguntas que variavam desde suas atividades musicais ("não sei se hoje vou tocar alguma música do Michael Jackson... só posso dizer que eu costumava tentar imitar um passo de dança dele para divertir minha filha. Mas não acho que vou dançar aqui pra vocês..."), notícias nacionais ("nós ficamos sabendo da tragédia na estação de trem de Viareggio. Somos próximos das famílias das vítimas") e também assuntos ligados à arte ("por que não somos tão conhecidos também na Europa?", ele respondeu a um jornalista que lhe perguntou sobre a diferença do enorme sucesso que eles tem nos Estados Unidos e a pequena parcela de fãs no velho continente. "Construímos nossa carreira graças à uma base de fãs leal e dedicada, show após show, não graças à mídia. Deixe-nos tocar mais vezes aqui e voltaremos a falar disso daqui 5 anos...").

Con-Fusion

O show em Lucca foi o único show da Turnê Européia da DMB em território italiano. Ele aconteceu 11 anos depois do último show da banda na Itália, em Correggio (Reggio Emilia) em outubro de 1998, quando ainda acontecia lá a antiga Festa Dell'Unitá, e onde, eu me lembro, havia mais mosquitos do que público...

Um papel importante neste bem vindo retorno da DMB (que acontece pouco depois do show acústico de Dave e Tim Reynolds no Dal Verme Theater, em Milão, em março de 2007) foi desempenhado pelos membros do Con-Fusion, o fã clube italiano oficial da DMB, que organizou um abaixo assinado para convencer algum produtor europeu a organizar uma turnê da Dave Matthews Band por aqui.

Graças à Corsina Adriano e seus dedicados companheiros, os "confusos" do Con-fusion invadiram a Piazza Napoleone, enchendo-a de entusiasmo, calor e cores (suas antigas camisetas vermelhas e pretas e as novas, verdes, podiam ser vistas a muitos metros de distância na praça). Não só isso. Na noite anterior, eles haviam se juntado na fazenda Bigongiari, nas montanhas de Lucca, para comemorar sua reunião anual, e depois, no show da DMB (veja o set list completo aqui), pouco antes do bis, vestiram máscaras que traziam o desenho de LeRoi Moore, saxofonista da DMB, que morreu em agosto de 2008, por complicações sofridas depois de um acidente de quadriciclo motorizado.


#41 - Lucca Summer Festival, Lucca, Itália (05/07/2009)

O retrato de LeRoi usado como máscara é o mesmo que se destaca na capa de Big Whiskey And The GrooGrux King, o novo álbum da banda. Foi desenhado por Dave Matthews, que, durante uma conversa exclusiva, contou o quanto gostou de fazer o desenho.

"Tudo começou", ele explica, "porque um dia recebi uma foto terrível da nossa banda: nós 4, parados na frente de uma árvore... que tristeza! "Essa vai ser a capa do disco", alguém disse... eu não podia acreditar: aquela foto era realmente horrível. Então, junto com nosso produtor Rob Cavallo, começamos a pensar no que fazer. "Eu preferia que, sei lá, alguém pintasse nosso retrato...", eu disse. "Por que você não faz isso?", Cavallo propôs, "podia ser engraçado...". "A idéia de fazer um retrato de LeRoi foi terapêutica...".


Funny The Way It Is - Lucca Summer Festival, Lucca, Itália (05/07/2009)

David John Matthews, apesar de não estar barbeado, estar com cabelo um pouco bagunçado e ter uma aparência que lembra a do seu vizinho, parece mais jovem que sua idade real - 42 anos. Ele também parecia ter emagrecido.

"Ele é tão sexy", comentaram sobre ele algumas mulheres que conheço: eu não entendo, só estou contando à vocês. No entanto, seus gestos calmos e especialmente sua total disponibilidade e simpatia acentuam seu brilhante modo de pensar. E, talvez, também seu charme. Na coletiva de imprensa, ele elegantemente driblou uma insípida pergunta sobre seu gosto musical, respondendo, inesperadamente, "Você quer saber o que eu gosto de escutar? Um tocador de banjo chamado Danny Barnes...".

Danny Barnes, que está presente em algumas faixas do disco Big Whiskey And The GrooGrux King, é um artista muito admirado pelos fãs da música bluegrass. Quando eu contei a Dave que sentado à sua frente estava outro amante do banjo, ele começou a rir. Naquele momento não pude evitar de citar Bela Fleck. "Um amigo querido", disse Dave, "estivemos juntos na festa de aniversário de Pete Seeger... eu conheci Jeff Coffin (atual saxofonista da DMB) graças a Bela e seu trabalho com os Flecktones... Bela tem um conhecimento musical extraordinário, e uma profunda dedicação ao seu instrumento, com o qual ele pode tocar em qualquer estilo musical de forma absolutamente impecável. Mas Danny Barnes também é incrível: um tocador de banjo roqueiro que expandiu os limites de seu instrumento. Se você conhece a Bad Livers, a sensacional banda de punk bluegrass na qual Danny tocou há alguns anos, você sabe o que quero dizer."

Continua...

Artigo publicado por Ezio Guaitamacchi na revista italiana JAM, na edição de setembro de 2009. e traduzido no Brasil com exclusividade da DMBrasil. Agradecimentos especiais a Corsina Andriano, do site Con-Fusion. Veja fotos do show na galeria de Luca Cepparo, clique aqui.



Créditos: Tradução: Nathalie Colas / Revisão: Rodrigo Simas

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