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DMB
Cause We Are Tripping Billies Part.1 25/10/2009

No Por Dentro dessa semana abrimos espaço para um relato emocionante (e muito divertido) do Bartender Gabriel Freitas, que viajou de Goiânia para o Rio de Janeiro para o show da Dave Matthews Band em 2008. Além da história ser muito bem contada, ela mostra o real amor dos fãs pela música da DMB e o quanto a banda influenciou a vida de milhares de pessoas ao redor do globo. O texto foi dividido em duas partes, não deixem de conferir a segunda na próxima semana!
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Lembro-me exatamente onde estava quando o celular tocou: no supermercado. Estava comprando qualquer coisa, não me lembro o que, na verdade não importa. Aqui em Goiânia, fazer compras no super chega a ser um lazer. Ou melhor, PRECISA ser.

Enfim, quando atendi era um amigo, falando sobre a vinda da Dave Matthews Band ao Brasil. Eu já tinha visto na internet que eles viriam para dois shows: um em Manaus e outro em São Paulo. Ambos seriam shows de festival, e isso - não sei exatamente porque - me desanimou um pouco a fazer a viagem. Não tenho dúvidas de que valeria a pena mesmo assim. Mas eu queria mesmo era ver um show completo e exclusivo da DMB. Isso valeria o risco. Sim, o RISCO. Explico.

Tripping Billies

Pra quem não sabe, ou não me conhece, estou entre aqueles malucos que largou tudo pra estudar pra concurso público. E hoje, uma escolha desse calibre significa deixar de lado, por algum tempo, muita coisa. Também, obviamente, significa abdicar de quase tudo que requeira algum investimento financeiro mais "pesado". Melhor dizendo, significa que você vai ter que abrir mão daqueles programas que "dependem" de grana pra acontecer. E além disso requer tempo, determinação e, claro, muito estudo. Beleza...

Pois é. Meio atordoado entre as gôndolas do super, não estava entendendo muito bem porque o meu amigo tanto falava da DMB. Depois fui ligando os pontinhos. Ele descobrira que a DMB faria, sim, uma apresentação exclusiva no Rio de Janeiro, no aterro do Flamengo:

-Aterro do Flamengo? -perguntei.

"Será que vai ser um show aberto?" - pensei. Ninguém sabia ainda a resposta para essa pergunta.

-Que dia é o show?

-Dia 30 de setembro. Faltam mais de dois meses - respondeu ele.

-Ué! Cai que dia da semana? O show de SP parece que é num sábado, né?

-Pelo jeito, é na terça mesmo, bicho...

-Terça??? Foda, hein?!.

-Pois é. E ae? Anima? Vamo pro Rio? - arriscou ele.

-Hã? Tá falando sério? Não bicho, sem chance, tô sem grana... Só estudando e tal. Aquelas coisa, tu sabe bem como é!

-Cara, se você quiser ir tem que me falar agora pra gente comprar Ingresso VIP, parece que é na frente do palco. O ingresso normal é muito longe... E a diferença de preço não compensa... Se precisar passa no meu cartão, porque só Itaucard tá passando os VIPs... E é limitado! Vamo lá!

-Caralho... Foda bicho! Valeu demais! Mas preciso resolver lá em casa e com a minha namorada, beleza? Assim que puder te retorno a ligação.

Tripping Billies

Voltei voando pra casa. Quando liguei pra minha namorada ela também ficou muito animada pra ir ao show. Mas eu, particularmente, estava muito cético. Eu nunca tinha ido ao Rio e também não conhecia ninguém que morasse lá para dar um apoio por alguns dias. Além disso, não estava planejando gastar grana em uma viagem desse porte naquela época. Teríamos que alugar um apê, pagar passagem de avião, deslocamento, alimentação e, claro, pra pelo menos uma cerveja na beira da praia... Só fiquei tranquilo porque sei que pra fazer esse planejamento (com baixo orçamento) a minha mulher é craque! Então, deixei tudo na mão dela.

Mas mesmo assim nossas estimativas mais otimistas não conseguiam fechar um orçamento de menos de mil reais pra cada! Estava muito complicado... mas eu queria muito que desse certo! E precisava tomar a decisão rápido. Perguntei em casa se alguém tinha o tal cartão "especial" pra eu tentar parcelar o meu ingresso e o da minha namorada. Peguei o da minha mãe. Por um motivo qualquer o site não quis aceitar. Liguei pro meu amigo. Falei que não dava o cartão da minha mãe não passou e que estava complicado mesmo.

-Então eu passo aqui no meu cartão e desconta depois no que for pagar das passagens!

-Ué, cara! Por mim, pode ser... tenta aí, se der certo a gente vai, na doida mesmo! - falei, de forma bem inconsequente.

Uns quinze minutos depois chega uma mensagem no meu celular, mais ou menos assim:

"FEITO!!! DMB aí vamos nós!!! Rio, nos aguarde..."

Estávamos com os ingressos na mão. Não sem um "porém": os quatro ingressos comprados eram, naturalmente, "meia-entrada" mas a minha namorada NÃO tinha a maldita carteirinha de estudante! E constava no regulamento da empresa que promovia o show que a carteirinha - por si só - não bastava. Era preciso providenciar um comprovante de matrícula e não só isso, mas também de pagamento da mensalidade daquele mês na instituição de ensino.

Tripping Billies

Na época ela não estava estudando e nenhum dos colégios que entramos em contato topou fazer um esquema "por-fora". Para garantir que tudo desse certo só restou uma saída: ela precisava se matricular em uma universidade. Mas pra fazer a matrícula ela precisava passar no vestibular. Para evitar qualquer transtorno, tomamos mesmo esse caminho "mais longo". Alguns dias depois ela agendou o vestibular (gratuito) em uma universidade particular e foi fazer a prova.

O resultado saía na hora e ela passou nesse vestibular. Fez a matrícula, pagou a primeira mensalidade e aí então fomos fazer a carteirinha, dessa vez sem qualquer intercorrência. (Ah, importante!!! Menos de uma semana depois, ela alegou "motivos particulares" e desistiu do curso e o dinheiro usado pra pagar a matrícula e a mensalidade foi devolvido INTEGRALMENTE).

Só então começamos a olhar lugar para ficar. Hotel? Pousada? Apê? Fazer um bate-e-volta de mochilão do aeroporto para o show? Precisávamos planejar minimamente a viagem. Mas o ponto mais crítico pra nós seria mesmo aquele: o show cairia numa terça-feira. E todo mundo trabalha na terça. E na quarta seguinte. E, claro, na segunda, que antecede o show. Não coincidia com nenhum feriado, nem folga de ninguém, nem nada.

Éramos dois casais. Tirando eu, que perderia apenas algumas "preciosas" horas de estudo, os três malucos que me acompanhariam possuíam responsabilidades e deveres a cumprir nos seus respectivos empregos naqueles dias. Não dava pra jogar tudo pro alto. E isso foi, de fato, uma parte delicadíssima discutida entre nós quatro enquanto decidíamos os detalhes do nosso destino.

Eu, particulamente, queria aproveitar pra conhecer um pouco o Rio, já que seria a primeira vez na cidade, pelo menos uma volta no calçadão, uma cerveja na Lapa, qualquer coisa diferente eu estava ansioso por fazer. Isso claro, se tudo encaixasse dentro do nosso "limitado" orçamento. Mas se lá já estávamos, não tinha porque não aproveitar um pouquinho. Isso era consenso. Entretanto, pra aproveitar bem é lógico que precisaríamos de tempo, e pra ter esse "tempo" precisávamos ir com certa antecedência e isso naturalmente significava ter que ir alguns dias antes, e isso ia de encontro à intenção do meu amigo. Com razão.

Ele já perderia serviço na terça e na quarta, estava complicado faltar também na segunda. Pra ele, naquele momento seria melhor se fôssemos na segunda depois do expediente. Nesse ponto, a viagem quase desandou. Foi complicadíssimo resolver, mas acabou que ele generosamente cedeu e falou que resolveria com o chefe "gente-fina" dele. Sairíamos mesmo no domingo. Ainda bem.

Tripping Billies

Mas, enquanto pesquisávamos na Internet sobre os lugares disponíveis com preço legal pra ficar no Rio, recebi um e-mail "bomba" desse meu amigo. Se não me engano, na nossa contagem regressiva, faltavam 41 dias para o show do Rio. A correspondência continha exatamente essas palavras:

"Velho....
 caralho....

 Acabo de ler que o Leroi morreu!!!!
 Caralho velho, puta que pariu!!!
 Olha essa morte rondando tudo!!!

 E agora?!?!?!?"

Isso estourou como uma verdadeira "bomba atômica" dentro da minha cabeça. O grande LeRoi faleceu. Aquilo era triste, triste muito muito triste. Fiquei um tempão paralisado, em estado de choque. Aquele dia não prestou pra mais nada...

Um "caminhão" de coisas passava pela minha cabeça. "Como pode? O LeRoi?". "Como a banda reagiria?". Lembrando que o LeRoi era membro fundador da banda e indispensável para o perfeito funcionamento na "engrenagem" da banda nos palcos. "DMB sem saxofone, é possivel???". "Será que "o outro" saxofonista toparia seguir na banda?". "Qual será o futuro da banda?". E já bem ansioso tentando antecipar demais as coisas, confesso que cheguei questionar: " Caramba... Será que algum dia eles vão conseguir lançar outro disco?".

O LeRoi era um dos músicos que eu mais admirava (e que a cada dia que passa parece que admiro mais e mais). Na época, acompanhava as notícias pela internet e os sites relacionados não atualizavam qualquer informação sobre o show. Um dia li que a DMBrasil faria uma homenagem a ele com balões brancos durante o show. Nesse dia, resolvi fazer também a minha pequena homenagem particular ao Roi. Imprimi uns trinta ou quarenta cartazes com o nome do LeRoi. Aproveitando a ideia, não resisti, e imprimi também um cartaz com os dizeres "CARTER FOR PRESIDENT" e outros com as letras D, M e B bem grandes. No entanto, as informações que saíam pela internet ainda eram poucas e desencontradas. Não havia nem confirmação e nem qualquer suspeita de cancelamento da perna sul-americana da turnê.

Só fui ficando mais otimista conforme os sites foram confirmando as presenças especialíssimas do guitarrista Tim Reynolds, do trompetista Rashawn Ross e do incrível saxofonista Jeff Coffin nos shows pelo Brasil.

Tripping Billies

Precisávamos agilizar nossos planos. Decidimos alugar um apê em Copa, encostado na Atlântica, aparentemente não ficaria tão distante assim do local do show e seria conveniente para, se o sol contribuísse, pegar pelo menos um dia de praia. Encaixava no orçamento de todos e Copacabana parecia ser muito bem servida de opções para alimentação. Nem precisaria gastar muito com táxi. Nossa idéia era mais ou menos essa mesmo. Ninguém fazia questão de "ir pra balada" ou mesmo "fazer passeios turísticos" no Rio naqueles dias.

Nosso voo saiu de Brasília (bem mais barato do que saindo direto de Goiânia) às 14 horas do dia 28 de setembro do ano de 2008.

Continua...

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"P.S.: Agradeço imensamente aos amigos Luiz & Tata que me acompanharam nessa "aventura" e à minha fiel e eterna companheira Rubinha. Vocês foram fundamentais para que esse tudo isso se realizasse, da maneira mais incrível que se poderia imaginar. Um forte abraço pra todos! A saudade é imensa... " 



Créditos: Texto-Gabriel Freitas / Fotos-Luiz & Tata

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