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DMB
Cause We Are Tripping Billies Part.2 31/10/2009

Chegamos no Galeão às 17 horas daquela tarde de domingo de tempo bem fechado, com muita chuva e vento forte. Ligamos para a responsável pelo apê para acertar e pegar as chaves. Entramos em um táxi, pegamos a Linha Vermelha fomos em direção a Copacabana. Acho que o clima daquele momento contribuiu para que eu ficasse ainda mais "assustado" com as dimensões daquela cidade. Como diz uma música do Lenine: " Você já foi até o Rio, nego? Não? Tem que ir, tem que ir".

A cidade é muito grande e também incrivelmente heterogênea. É muito curioso. E a minha primeira impressão não foi lá das mais agradáveis. Tempo nublado, muita chuva, trânsito (mesmo no domingo) intenso... "Cidade maravilhosa? Onde?" - eu pensava, olhando enquanto cruzávamos rapidamente pelos subúrbios e depois os imensos túneis da cidade.

Para chegar ao nosso apê passamos pela Avenida Atlântica. Na praia ventava ainda mais forte. E tudo estava muito deserto. Achava estranho aquilo. Aquele Rio de Janeiro não existia nem de forma remota na minha imaginação. Mas tudo bem, eu estava mesmo um pouco apreensivo. O que me tranquilizava era que pelo menos estávamos num bom apartamento (ou seja, tínhamos onde ficar) e depois, com calma, resolveríamos o que fazer pela cidade. A gente poderia sair e procurar algo pra comer e, se desse, quem sabe tomar uma cerveja num boteco qualquer. Ainda estava cedo.

Tripping Billies

O tempo necessário para organizar as coisas no apartamento foi suficiente para que a chuva lá fora desse uma diminuída. Quando saímos rumo à avenida N.S. de Copacabana ainda chovia um pouco e ventava muito. Encontramos um supermercado que tinha uma pizzaria dentro, com pizzas cujos preços estavam bem interessantes. Todos estavam com fome e comemos ali mesmo. Aproveitamos e fizemos as compras para o café da manhã.

Ainda era cedo e resolvemos emendar uma cervejinha em um bar qualquer. Depois que saímos para caminhar percebemos que na verdade já estava anoitecendo porque o calçadão continuava deserto. Sentamos no primeiro bar da Atlântica que encontramos aberto, a mais ou menos duas esquinas do nosso apê.

Tomamos ali alguns chopps mas eu ainda estava um pouco incomodado (isso pra não assumir que estava "perdido"). Não estava entendendo direito como funcionava "aquele" Rio de Janeiro. Ainda assim estava gostando da experiência, aquela "falsa" sensação de liberdade. Não demorou muito pagamos a conta e, na volta para casa - já levemente alcoolizados - passamos num buteco bem "copo-sujo" e cada um tomou uma dose da pior cachaça que já experimentei na vida.

Cheguei no apê doido pra ouvir DMB pra esquentar os motores pro show, mas na correria para o embarque, quem disse que eu lembrei de pegar os CD's pra ouvir nessas horas? Tivemos que nos contentar com os canais de rádio da TV a cabo. Escutamos pop, rock, samba, tango, mambo, salsa, heavy-metal e várias músicas dos anos 80. Ficamos assim até a alta madrugada, bebendo mais e mais e curtindo e dançando até cair.

Tripping Billies

Acordamos cedo no outro dia, muito por conta do sol, numa manhã inexplicavelmente linda. Queríamos aproveitar ao máximo aquela "segunda-feira" de praia. O dia estava aberto, aquele céu azul, olhamos o calçadão pela janela e já apresentava algum movimento. Rebatemos a ressaca com um bom café da manhã e fomos caminhar no "famoso" calçadão.

Aí sim, pude entender um pouco do que "É" o Rio de Janeiro. Ou pelo menos de uma pequeníssima parte dele. Em plena segunda-feira, galera indo trabalhar, passando pela praia, um trânsito maluco em meio àquela paisagem exuberante. Fomos caminhando até o Leblon e eu fui conhecendo e reconhecendo o porquê de algumas paisagens serem, com total justiça, dignas de cartões postais.

Quando já fazíamos a caminhada de volta para Copacabana a minha namorada me diz que está com o Mp4 dela na bolsa. Era a melhor notícia que eu poderia receber naquele momento. Pedi, e ela me deixou estender a caminhada por mais alguns metros escutando algumas músicas. Coloquei os fones e "play" no modo randômico. Caiu na música "One Sweet World" (do Piedmont Park, minha versão favorita).

Passei em frente ao Copacabana Palace e de longe deu pra ver uma agitação enorme, mas mesmo assim continuei "marchando". Naquele momento aquela paisagem me bastava. Aquela música me bastava.

Pronto! Eu estava "espiritualmente" preparado para o show do dia seguinte.

Tripping Billies

A terça-feira foi um pouco mais "light" até porque todo mundo precisava "economizar energia" para a tão esperada hora. E o dia estava mais nublado também. Fizemos uma caminhada leve e tomamos uma água-de-coco bem gelada debaixo de um coqueiro, com pé na areia. Almoçamos por ali mesmo e fomos para casa descansar e nos preparar para o show.

Antes de partir rumo ao local do espetáculo, fizemos uma sessão de fotos bem legal com os cartazes que levamos (veja os cartazes na parte 1 do texto) e, então, embarcamos no táxi rumo ao Vivo Rio. Não chegamos ali muito cedo, visto que a fila para entrar já fazia algumas curvas. Ingressos e carteirinhas na mão, entramos sem qualquer complicação.

Na entrada, uma loucura para comprar as camisetas oficiais da Turnê Sul-Americana. Eu queria muito muito uma, mas se eu comprasse ficaria sem dinheiro pra voltar de táxi ou então pra almoçar no dia seguinte. "Não estava ali pela camiseta mas pela banda, pelo show que estava para acontecer" - pensei sozinho. E aquilo de fato não me afetou porque eu estava muito ansioso para ver a entrada da banda. Antes da DMB pisar no palco distribuímos alguns dos cartazes com o nome do LeRoi para a galera que estava por ali.

Tripping Billies

Às 21 horas e 35 minutos do dia 30 de setembro de 2008 a Dave Matthews Band entra no palco. Logo de cara, na "intro" de Bartender eu levantei o meu pequeno cartaz do Carter e - para a minha surpresa e dos meus amigos - ELE VIU o cartaz e acenou pra mim. Foi um instante muito especial do show pra mim, com menos de dois minutos de banda no palco...

E eles seguiram tocando aquele setlist fantástico que todos os fãs que lá estavam hoje devem saber de cor... Em Stay or Leave (que Dave dedicou a LeRoi) outro momento marcante pra mim. Todo mundo que estava com o cartaz do Roi levantou os braços e ajudou a realizar a minha "idealizada" homenagem ao nosso grande saxofonista. Confesso que quase chorei nesse hora.

O show ia rolando e eu estava em êxtase. E #41 foi mesmo o clímax da noite. Os balões brancos dançando ao som da daquela incrível jam de "Sojourn of Arjuna" que só a DMB é capaz de fazer.Depois, com direito a um tease de "Garota de Ipanema" no sax. As palavras nunca obterão sucesso para descrever algo como o que acontecia naquele momento. Milagre? Mágica? Talvez...

No intervalo do bis eu já estava exausto, mas ainda queria ouvir diversas músicas. Mas eu não aceitaria ir embora sem ouvir "Two Step". Aí então eles voltaram, tocaram "Burning Down the House" com uma enorme vontade e um gás inexplicável e fecharam com uma das melhores versões de Two Step que já ouvi na vida.

Quando acabou eu estava quase vesgo de tão cansado. Mas gritei, gritei e aplaudi muito aquela banda. Daí eu levantei o cartaz do Carter muito alto para que ele visse e desse outro "tchazinho" pra mim. Ele viu. Deu o tchauzinho. E JOGOU UMA BAQUETA pra mim. Mas eu tava segurando a porra do cartaz e não consegui pegar a baqueta.

E o mundo inteiro desabou na minha cabeça nessa hora. Eu não acreditei e pensava: "Não é possível, que falta de sorte... Foi por pouco, muito pouco... POR QUE EU NÃO JOGUEI A PORCARIA DO CARTAZ PRA LONGE???". Eu gostaria muito de ter aquela baqueta.

Isso durou apenas alguns segundos. Logo em seguida, percebi que algumas pessoas à minha volta (que não os meus amigos) reconheceram que ele tinha jogado a baqueta pra mim. E, não sei bem porque, começaram a se manifestar dizendo: "o cara jogou a baqueta pra ele...". "É eu vi, foi pra ele, o menino que tá segurando o cartaz...". Foi então, com um sentimento de vertigem, que virei pra trás e vi uma garota segurando uma baqueta e dizendo mais ou menos assim:

-Quem é o rapaz?
-Sou eu. - respondi totalmente sem jeito, mostrando o cartaz todo detonado pra moça.
-Toma. É sua.
- ??? [...] !!!
- Só deixa eu tirar uma foto com a baqueta? - foi a "exigência" que ela fez.

Eu quase ajoelhei agradecendo o gesto daquela moça. Não dava pra acreditar. Sou fã do Carter há tanto tempo e nem nos meus maiores sonhos eu poderia imaginar que no meu primeiro show da DMB, saindo de Goiânia no maior aperto, chegando numa cidade enorme como o Rio eu conseguiria sair com uma recordação tão importante daquela noite fantástica.

Depois eu fui "recobrando" a consciência, e vi a camiseta e o crachá da DMBrasil da garota. Acho que nunca serei capaz de demonstrar a enorme gratidão que tenho por sua generosidade e sensibilidade.

Tripping Billies

Na saída do Vivo Rio eu queria mesmo ir direto para casa. Eu não sentia fome, nem sede, não sentia mais nem o cansaço, de tão exausto e feliz que estava ao mesmo tempo. Naquele instante se passava um turbilhão de emoções na minha mente. Na verdade, só queria guardar aquela baqueta em um lugar seguro, admirá-la um pouco, e ficar lembrando de cada momento daquela noite especial.

Mas a verdade é que todos estavam com muita fome e caímos pra uma pizzaria na Lapa. Comemos duas pizzas enormes, deliciosas e fomos pra casa, felizes e satisfeitos, sabendo que teríamos uma longa história pra contar... Uma história que poderia não ser contada e que provavelmente cairia no esquecimento num futuro não muito distante... Ou então, uma história que, se fosse contada, teria um lema seria muito parecido com o que diz a música "Tripping Billies" (isso mesmo, a dos "Caipiras Viajantes"): "Eat, drink and be merry, for tomorrow we die..."

Ou melhor, traduzindo para o nosso bom português:

"Coma, beba e seja feliz, pois amanhã morreremos..."



Créditos: Texto-Gabriel Freitas / Fotos-Luiz & Tata

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